Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. Experimente 15 dias grátis >>

Estado de Minas

Desigualdade estagnada

O Brasil, pela primeira vez durante anos, vê a distribuição de renda estacionar


postado em 27/11/2018 05:19

A desigualdade é o calcanhar de aquiles do Brasil. Com histórico escravocrata, o país fracassou nas medidas de reduzir a distância entre pobres e ricos de forma sustentável. Iniciativas tomadas aqui e ali registraram avanços. Mas o retrocesso mantém-se à espreita.

É o que demonstra relatório da organização não governamental Oxfam publicado ontem. O texto informa que, depois de 15 anos, a distância entre os que muito têm e os que nada têm parou de diminuir. Como outros Estados avançaram, a maior nação sul-americana piorou no ranking global: do décimo lugar, caiu para o nono.

De acordo com a Oxfam, "o Brasil, pela primeira vez durante anos, vê a distribuição de renda estacionar. A pobreza no país recrudesceu e teve fim a dinâmica de convergência entre a renda de mulheres e homens - o primeiro recuo em 23 anos". A crise, que gerou um exército de quase 13 milhões de desempregados, sem dúvida agravou o quadro.

Os dados preocupam. O número de pobres cresceu 11% em um ano - 7,2% da população em 2017 (15 milhões de brasileiros sobrevivem com menos de dois dólares diários). O rendimento do trabalho dos 10% mais ricos saltou 6% de 2016 para 2017, enquanto o dos 50% mais pobres sofreu queda de 3,5%. O saldo: o ingresso médio de 1% dos brasileiros situados no topo da pirâmide é 36,3% superior ao dos 50% da base.

Não só. A desigualdade mostrou a cara mais feia em segmentos em que se registravam conquistas. Trata-se das mulheres e dos negros. Entre as primeiras, a média da renda caiu na proporção de 72% para 70%. Entre os segundos, de 57% para 53%. O volume de gastos sociais no Brasil recuou ao patamar de 2001. A mortalidade infantil subiu de 13,3 em 2015 para 14 vidas perdidas em 2017.

O novo governo, que assume em 1º de janeiro, promete mudar paradigmas nacionais. A redução da desigualdade é, sem dúvida, um dos mais urgentes. O recuo das cifras constrangedoras passa, necessariamente, pelo aprimoramento dos programas sociais e pela melhora na educação. Nenhuma nação ultrapassou a barreira do subdesenvolvimento com escolas atrasadas.

Só o ensino de qualidade - que implica currículos modernos, instalações adequadas, professores comprometidos, estudantes desafiados e aptos a vencer etapas na idade certa - é capaz de garantir a igualdade de oportunidades e a ultrapassagem da linha da pobreza. População educada conquista cobiçados postos de trabalho e infla a renda. Eis a única receita para deixar no passado - de forma sustentável - as mazelas que empurram o Brasil para o atraso e a violência.


Publicidade