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Estado de Minas

De números e sentimentos

Quanto mais tempo na fila do desemprego, maior o risco de abandonar a batalha por vaga


postado em 19/11/2018 11:48

Um em cada quatro desempregados brasileiros está em busca de trabalho há mais de dois anos. São 3,2 milhões de pessoas nessa condição, conforme divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última semana. Nunca tanta gente permaneceu tanto tempo fora do mercado. Esse recorde histórico corresponde a 25,6% do total dos 12,5 milhões de desempregados no país no terceiro trimestre de 2018.


Num exercício de paciência e de otimismo pela recolocação – tarefa muitas vezes árdua, é verdade –, restam as expectativas com o novo governo, que está em construção. Mercado financeiro e empresários têm sinalizado positivamente em relação à futura gestão Jair Bolsonaro (PSL). Espera-se que esses sinais se concretizem na forma do resgate da confiança no Brasil, de investimentos na produção e da geração de vagas.


No intervalo de 12 meses, 350 mil pessoas entraram para o exército dos trabalhadores que procuram trabalho há mais de dois anos. Comparado com 2014, quando o Brasil ainda vivia o pleno emprego, aumentou 175%. São mais de 730 dias na luta por oportunidade. Isso considerando os dados oficiais conhecidos e os conceitos e metodologia de pesquisa que levam a eles. O IBGE entende como desocupados aqueles indivíduos que não tinham emprego, num determinado período de referência, mas estavam dispostos a trabalhar, e que, para isso, tomaram alguma providência efetiva, como consultar sites de seleção de pessoal e ir a agências de recrutamento.


Fora dessa estatística, há os desalentados, que são os que desistiram de procurar vaga. O perfil desse grupo é definido como o do profissional ausente da força de trabalho por não conseguir ocupação adequada, não ter experiência ou qualificação suficiente, ser considerado muito jovem ou idoso, ou não encontrar vaga na região onde reside, mas que, diante de uma chance, certamente não a deixaria escapar. Essa dificuldade toda gera sentimento de desânimo, incredulidade em voltar a trabalhar, intensificado num momento de crise, quando se perde a esperança em dias melhores.


O coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, chegou a observar que o recorde no total de pessoas à procura de emprego por longo período poderia ser ainda mais elevado. “Esse número não está maior por causa do desalento, ou seja, daqueles que estavam há tanto tempo procurando emprego que já desistiram de procurar. É uma situação grave”, disse. Os últimos dados mostram 4,78 milhões de brasileiros desalentados.


Significa que a pressão é grande: quanto mais tempo na fila do desemprego, maior o risco de abandonar a batalha por vaga. Significa que quanto mais tempo demorar a tão aguardada retomada da economia brasileira, maior a possibilidade de as estatísticas do desemprego explodirem. A 42 dias da posse do novo presidente, o desejo e o pedido são reforçados para que as promessas de crescimento sejam cumpridas. Que o trabalhador acredite na chance de encontrar emprego. E que encontre, de fato.


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