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Estado de Minas

Ameaças aos curdos na Síria

Os curdos foram uma vez mais abandonados, seguindo sua histórica sina


postado em 15/11/2018 05:05

Há 10 dias, as forças russas que controlavam o espaço aéreo da cidade síria de Afrin, junto à fronteira com a Turquia, surpreendentemente se retiraram. Era a senha aguardada por Receep Erdogan, o sultão otomano que governa em Ancara. No dia seguinte, os aviões turcos atacaram abrindo caminho para a entrada das tropas terrestres, com o objetivo declarado de expulsar combatentes curdos aí instalados após terem derrotado, primeiro, invasores da Al Qaeda, e, por fim, terroristas do Estado Islâmico (EI), que até então ninguém conseguira desalojar. É mais um capítulo no interminável conflito que assola a Síria com pelo menossete atores principais se digladiando.


A Rússia, em setembro de 2015, oficializou seu apoio ao ditador sírio Bashar al Assad e mantém no país uma base aérea em Latakia, além da força naval em Tartus, no Mediterrâneo. O governo sírio, desde então, virou o jogo da guerra, voltando a dominar boa parte de seu território, embora uma fatia enorme ao Norte permaneça na mão dos curdos.


Os Estados Unidos contentaram-se em liderar a coalisão que derrotou o EI, são aliados dos turcos contra Assad, apoiam os curdos e contam com 2.000 mariners no enclave curdo de Manjib. Os curdos são aproximadamente 30.000 nessa região fronteiriça (em terras sírias), do Partido de União Democrática (PYD) e de seu braço armado, a Unidade de Proteção Popular (YPG), com sua famosa e implacável ala feminina, a YPJ.
A Turquia quer estabelecer um corredor de 30 quilômetros na fronteira com a Síria para sua própria segurança, argumentando que não há diferença entre os grupos curdos que agora combate e o Partido dos Trabalhadores (PKK), que é internacionalmente catalogado como organização terrorista (exceto pelos russos). Nas homenagens a dois soldados turcos mortos nos três primeiros dias da invasão, o ministro das Relações Exteriores, Mevlot Cavusoglu, declarou que "não deixaremos o sangue de nossos mártires neste solo e continuaremos nossa luta até eliminar o terror". O Exército Livre da Síria (ELS), formado em 2011 a partir de desertores das forças militares nacionais para fazer oposição ao governo Assad, tem perdido homens para organizações mais radicais, além dos que agora foram cooptados pelos invasores turcos que os remuneram para que lutem contra os curdos. Por fim, o Estado Islâmico, após controlar grande parte do país, viu-se suplantado pela ampla coalisão inimiga, mas ainda resiste em alguns núcleos do enclave de Deir Az Zor, limite com o Iraque, no Vale do Eufrates.


A recente aliança estratégica estabelecida entre Erdogan e o presidente russo Vladimir Putin mostra, assim, sua relevância. Na prática, os curdos foram uma vez mais abandonados, seguindo sua histórica sina. O desafio agora está no cumprimento ou não da promessa turca de continuar sua marcha rumo a Manjib, onde teriam pela frente o contingente norte-americano.


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