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Estado de Minas

Gastar ou guardar o 13º salário


postado em 08/11/2018 05:10

 

 

 




Estamos chegando ao final de 2018, exatamente no último bimestre do ano. Os meses de novembro e dezembro são revestidos de significados para os brasileiros e são, também, um momento importante para a economia, pois é quando mais dinheiro circula no mercado.

A estimativa é que, somente com o pagamento do 13º salário, cerca R$ 211,2 bi devem ser injetados na economia, segundo estudos do Dieese. Este valor representa cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e é por isso que o comércio aguarda a chegada dessa renda extra nas mãos do trabalhador para garantir as vendas de final de ano e recuperar os baixos resultados de 2018.

De uma maneira geral, este foi um ano complicado para a nossa economia. Tivemos retração das atividades comerciais e aumento do endividamento geral da população.  O cheque especial e o cartão de crédito foram as opções mais utilizadas pelos brasileiros para fazer suas compras, apesar de liderar o ranking dos maiores juros praticados pelo mercado. A taxa anual de juros praticadas pelos bancos está na faixa dos 300% (cheque especial) e 164%, (rotativo do cartão de crédito), segundo relatório do Banco Central (BC) de 26 de outubro de 2018.

Com mais dinheiro no bolso, a tentação de fazer aquelas compras e realizar os sonhos acalentados durante todo o ano é grande. Mas muita gente também sonha em guardar essa renda extra. Qual é a melhor opção?

Gastar esse dinheiro de forma racional é um grande desafio. Para isso não existe milagre. A palavra de ordem é organização e autocontrole. É preciso deixar de lado o desejo de aquisição de bens e de presentear os entes queridos, durante as festividades, e fazer as contas necessárias para não começar 2019 ainda mais endividado.

Cinco passos simples podem ajudar:

Liste todos os seus débitos, principalmente aqueles que estão atrasados; ordene esta lista de maneira que os primeiros sejam aqueles cujos juros são mais elevados; ligue para seus credores e tente renegociar o pagamento com redução dos juros; privilegie o pagamento de dívidas que têm maior redução dos juros e que sejam possíveis de quitar integralmente; seja racional nas suas escolhas e não se sinta pressionado para consumir sem necessidade.

Após esses cinco passos, caso o saldo final não seja aquilo que você estava esperando, use a criatividade para presentear os entes queridos, preferindo as lembrancinhas para não deixar passar em branco a data.

Se você for integrante da parcela privilegiada da população que não tem dívidas, aproveite seu 13º para se planejar e reduzir os impactos dos gastos do início do ano. Lembre-se de que impostos como IPVA e IPTU têm um impacto considerável no orçamento familiar e não se esqueça de considerar o aumento da mensalidade escolar, o material, o uniforme, entre outros.

Aproveite a época para rever suas opções de consumo e use o 13º como uma oportunidade de mudança. Comprar é muito bom, principalmente quando é um objeto que sonhamos em adquirir, mas a tranquilidade de saber que sua saúde financeira está controlada não tem preço.

Tire um tempo para avaliar suas finanças, coloque na ponta do lápis tudo que você recebe e tudo que você gasta ao longo do mês. Adéque seus gastos à sua renda e não viva em um patamar incompatível com sua realidade, pois esta é uma das grandes causas de endividamento. Busque sempre ter uma reserva para situações não previstas ou emergenciais.

Não deixe que o impulso do consumo seja mais forte que sua racionalidade financeira. Isso não quer dizer que não devemos comprar e realizar sonhos, no entanto, os sonhos precisam ser adequados às suas condições financeiras para não se tornar um pesadelo. Planejamento e educação financeira são práticas que precisam ser treinadas, ninguém nasce sabendo. Com o passar do tempo vamos nos aprimorando, porque só aprendemos quando praticamos.


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