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Estado de Minas

A hora da autocrítica

Seguirá o senador mineiro sendo, neste tempo de autocrítica, referência de dignidade, honradez e ompetência para o mundo político brasileiro


postado em 06/11/2018 05:08

 

voz das urnas nas eleições de 2018 passou um recado bastante incisivo para a classe política brasileira: é chegada a hora de se promover uma profunda autocrítica sobre essa atividade essencial à ordem democrática e à construção de instituições públicas respeitadas pela sociedade. A era do toma lá dá cá e da troca de favores pessoais está definitivamente condenada a ser página virada na vida republicana do país.


Também é grave constatar que apenas 57% do eleitorado mineiro – recorde negativo nos últimos 30 anos – votou para governador no segundo turno, em 28 de outubro passado. Ou seja, 42,7% desse eleitorado (cerca de 6 milhões do total de 15,7 milhões de eleitores inscritos) decidiram votar em branco, nulo ou se abstiveram de comparecer às urnas. São índices alarmantes numa sociedade que, há três décadas, enchia ruas e praças do Brasil reivindicando exatamente o direito ao voto em eleições diretas.


O chamado "efeito Lava-Jato" certamente contribuiu, em grande parte, para esse descomunal descrédito da política tradicional, generalizando-se a tendência a nivelar por baixo todos os representantes políticos, atingindo drasticamente a credibilidade dos homens públicos no Parlamento ou no Poder Executivo. Propagou-se, assim, o voto "antissistema", sob a palavra de ordem "contra tudo e contra todos" nas redes sociais.


A mim, pessoalmente, uma invariável pergunta foi feita ao final das apurações, com a eleição do novo governador, Romeu Zema, com 71,8% dos votos válidos (ou seja, dos 57% que votaram nos nomes em disputa). Essa pergunta era, em síntese, a seguinte: "Como se poderia explicar que um homem público com a folha de serviços prestados a Minas e ao país, como o senador Anastasia, não foi o escolhido nas urnas, ainda mais neste momento em que o estado carece tanto da experiência dele?".


Efetivamente, considerando-se a gestão Anastasia no governo de Minas Gerais, aprovada com mérito por organismos internacionais, e examinando-se a pauta de sua destacada atuação no Senado Federal, reconhecida pela sua cultura jurídica como também pelo seu compromisso com a correção e a eficácia do processo legislativo, a justificativa para a derrota, em ambos os casos, não teria cabimento.


De fato, Anastasia foi fundamental como membro da comissão especial criada no Senado para discutir a Lei Kandir, vital para o equilíbrio fiscal do estado, com estimativa de R$ 8 bilhões por ano a mais para Minas Gerais. O senador foi também um dos líderes na aprovação de emenda ao orçamento que impediu a retirada de verbas destinadas às obras da BR-381. Ele é, ainda, relator de um dos assuntos mais sensíveis hoje na pauta do Congresso Nacional, que é o Código Penal, ora sob seu rigoroso exame.


Nos projetos por ele apresentados no Senado, três pilares se destacam: melhoria da gestão e dos serviços públicos, especialmente da segurança; combate à corrupção e transparência nas contas públicas; e melhoria do ambiente de negócios, com desburocratização e segurança jurídica.Contamos, pois, com um homem público que não poderá jamais ser desconsiderado no cenário político mineiro e nacional, onde teve e terá imensa contribuição a dar. Não será, portanto, um episódio eleitoral movido por um "tsunami" de insatisfação coletiva, à raiz de erros repetidos da classe política, que haverá de deter a trajetória presente e futura de um senador que tem o perfil de autêntico estadista, apto para exercer missões ainda mais altas.


No caso dele, em que indubitavelmente fez-se a máxima "os justos que pagam pelos pecadores", seguirá o senador mineiro sendo, neste tempo de autocrítica, referência de dignidade, honradez e competência para o mundo político brasileiro, lastreada pelos seus exemplares 35 anos de serviço público. Anastasia permanece, assim, como referência e espelho para o exercício da nobre missão pública e para toda a nossa sociedade.


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