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Estado de Minas

A relevância do Mercosul

O Mercosul forma um mercado consumidor de 275 milhões de pessoas, que representa a quinta economia do planeta


postado em 05/11/2018 05:06

O Mercosul (Mercado Comum do Sul), sonho acalentado por muitos e criado à semelhança da União Europeia (UE), não pode perder a relevância que tem para as relações do Brasil com os seus vizinhos, notadamente os do Cone Sul. Alguns sinais já foram dados por auxiliares próximos ao presidente eleito Jair Bolsonaro de que o acordo comercial entre o Brasil, Argentina - maior parceiro na América do Sul -, Uruguai e Paraguai (a Venezuela está suspensa) não será prioridade. Se a intenção do próximo governo é priorizar os acordos comerciais bilaterais, isso não significa que deverão ser deixados de lado os esforços para a valorização e o pleno funcionamento da aliança entre os quatro países sul-americanos.

Muito já foi feito em prol da aproximação do Brasil com os países limítrofes, numa clara opção por resgatar a vocação de um regionalismo aberto, mas sem perder de vista a possibilidade de acordos benéficos à balança comercial brasileira com o restante do mundo. O melhor caminho é se trabalhar para uma aproximação constante com o bloco e demais países do hemisfério e nações dos outros continentes. Mas não se pode deixar de lado os avanços conseguidos depois de duras negociações entre os membros do Mercosul. Hoje, cerca de 90% dos entraves que existiam no comércio no interior do bloco , como os que impediam o acesso ao mercado argentino de carne bovina - o Brasil é um dos maiores produtores mundiais de proteina animal -, foram removidos.

Não menos importante foi a adoção de um plano de convergência regulatória em áreas sensíveis, como governança digital, segurança cibernética, assinatura eletrônica, direito do consumidor e comércio eletrônico. Também foram destravadas as conversações com os países associados (Bolívia, Chile, Peru, Colômbia, Equador, Guiana e Suriname). Por exemplo: o bloco acertou com a Colômbia acordo de complementação econômica que, na prática, reduziu a zero as tarifas aduaneiras nas trocas comerciais. Também merecem destaque os acertos com o Chile para a formalização dos instrumentos para a liberalização das compras públicas e facilitação de transações financeiras.

O que a equipe econômica do futuro governo não poder perder de vista é que o Mercosul forma um mercado consumidor de 275 milhões de pessoas, que representa a quinta economia do planeta. No ano passado, 18,5% das exportações brasileiras (US$ 20,7 bilhões) tiveram como destino os parceiros do bloco econômico do Sul do continente. E que a aproximação com os outros países latino-americanos se dará de forma mais efetiva se houver negociações conjuntas. Para o bem do Brasil e de sua relevância internacional, o Mercosul tem de ser valorizado, não significando, com isso, que acordos bilaterais de comércio não possam ser negociados e fechados à parte do bloco. O que realmente importa é que o Brasil possa colocar no mercado mundial os seus produtos, o que significa renda e emprego para todos os brasileiros.

 

 


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