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Estado de Minas

Por que devo ser um educador maker?


postado em 26/10/2018 05:04



A cultura maker tem como princípio a crença de que qualquer pessoa pode consertar, modificar, criar e produzir com as próprias mãos. O fazedor, tradução literal de maker, é uma tendência que impulsiona a inovação em empresas, escolas e projetos sociais. A cultura maker é uma extensão mais tecnológica da cultura do faça você mesmo, o do it yourself.

Somos seres naturalmente criadores, exploradores e pensadores. Nós não apenas consumimos, nós também podemos criar. É da nossa natureza como indivíduos reunir os materiais à nossa volta e transformá-los em coisas completamente novas. Isso é ser maker. Isso é o que a cultura maker traz em sua raiz. Mas, por que devo aplicar essa cultura na educação? Quais os benefícios para o desenvolvimento do aluno?

Acredito que é dever primordial do educador contribuir para a formação de cidadãos críticos, capazes de analisar, sintetizar, comparar, compreender e, a partir de conclusões, interferir em situações diversas. É garantir a manifestação da essência humana. E a cultura maker contribui de maneira muito significativa para o desenvolvimento dessas habilidades. As crianças sempre criaram coisas. Educação maker não é, de fato, novidade.

O primeiro passo para entender a cultura maker é compreender que há uma revolução tecnológica em curso. E, junto com essa revolução, temos que fazer uma revolução de aprendizagem. E o assunto deve ser debatido e inserido no contexto escolar porque precisamos preparar as nossas crianças para esse futuro. Pesquisas apontam que 65% das crianças que hoje estão na educação infantil seguirão carreiras que ainda não existem, e robôs substituirão 800 milhões de postos de trabalho até 2030. Como lidar com esse novo cenário? Temos que despertar nos alunos a vocação para pegar coisas complexas e caras e fazê-las acessíveis para o grande público. É promover a colaboração e a autonomia dos alunos.

Com a educação maker é possível construir um fazer pedagógico para que os alunos decifrem os códigos e aprendam de maneira genuína e autêntica. Temos que dar aos estudantes as ferramentas para que eles possam resolver problemas de forma criativa para lidar com o complexo mundo em que vivemos e as novidades tecnológicas que ainda não conhecemos, mas que surgirão nas próximas décadas.

A criatividade também deve ser trabalhada nos alunos. Devemos entendê-la como uma habilidade que pode ser desenvolvida, e não como um dom. Os problemas complexos precisam de soluções criativas. E a cultura maker privilegia o protagonismo do aluno. Despertando nele a colaboração, o pensamento criativo e crítico, além de dar a ele a possibilidade do desenvolvimento de autonomia. Com isso, temos presença. O professor trabalha para que o aluno esteja presente no espaço. Quando o aluno não está presente, nada acontece. A presença é engajamento no processo de aprendizagem.

O educador deve conscientizar-se de que o aluno é um criador e contribuir para estimular e despertar nele essas habilidades. Os benefícios são inúmeros. Trabalhar o conceito da cultura maker na educação é colaborar para a construção de um mundo novo com inúmeras possibilidades. É preparar o estudante para o futuro. A cultura maker não é a solução para todos os problemas da educação, mas é uma importante ferramenta de transformação.

Torne-se um educador maker! A tentativa e o erro são premissas dessa cultura. Prepare-se e arrisque-se para a construção de um novo mundo. O erro deve ser encarado como uma possibilidade de transformação. Nós, professores, somos plataformas para elevação do aluno. E precisamos aprender fazendo.


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