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Estado de Minas

Uma moda para chamar de sua


postado em 24/10/2018 05:04



A moda é um dos campos mais ricos para desenvolver a economia. E não há como negar que a moda mineira e, em especial, a belo-horizontina, recebe por parte da mídia uma atenção que nenhum outro estado dá a esta indústria. No entanto, essa visibilidade toda não resulta em benefício direto para o setor têxtil. Ou seja: a moda brilha, mas não vende. Será? Ou melhor, vende muito menos do que se imagina pelo ruído que provoca. As razões para que esse paradoxo ocorra até os dias de hoje são: falta de crescimento industrial do país, desvalorização do nosso parque têxtil e, principalmente, ausência de conhecimento da população sobre a importância e riqueza de sua historia.

Para fomentar esse segmento é que a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (SMDE), promove a Semana de Moda de Belo Horizonte, de 29 de outubro a 4 de novembro, que visa  ampliar a percepção do público para a valorização e o reconhecimento da indústria têxtil no estado. São parceiros nessa empreitada o Museu da Moda, a Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur), a Fundação Municipal de Cultura e a Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), além de inúmeros atores da área que abraçaram a iniciativa.

A importância do evento se volta, principalmente, para a retomada do potencial mineiro na arte de se representar no mundo da moda como produtor, consumidor e exportador. Significa, ainda,  um momento de pertencimento e de reflexão para todos os atores envolvidos no processo, inovando os saberes tradicionais, os modos de fazer e as memórias como ferramentas para moldar sua própria moda e orgulhar-se de criar uma moda para chamar de sua, ou seja, "made in Belo Horizonte/Minas Gerais".

A moda e seus desdobramentos são grandes difusores da nossa identidade, dos nossos valores e da nossa cultura. O segmento apresenta aspectos relevantes em relação ao desenvolvimento que promove não apenas o crescimento econômico, mas a inclusão socioeconômica, seja por meio da geração de trabalho, emprego e renda, seja por meio da promoção da inclusão social. Enfim, pela sua possibilidade de promover o desenvolvimento humano em uma perspectiva mais ampla que a mensurada pelos indicadores do Produto Interno Bruto, o PIB.

Vale lembrar que a indústria têxtil mineira, em um determinado período de nossa história, teve uma presença tão forte que formou vilas, transmitiu valores e hábitos. Além do desenvolvimento econômico, trouxe, também, transgressões e rupturas ricas e pujantes como elementos de manifestações culturais.

Apesar de o potencial estratégico da moda como vetor de desenvolvimento, as políticas públicas de moda no Brasil, historicamente, se restringiram à visão industrial. Mas aqui, não! Belo Horizonte, de direito, em 2012, pela Lei Municipal 10.390, e de fato, desde sempre, se tornou a capital da moda.

A moda hoje está inserida dentro das políticas publicas do município e do estado no campo da cultura, turismo e desenvolvimento econômico. Está em nosso DNA. Poucos sabem, mas Belo Horizonte era chamada de a "cidade das costureiras". Rara era a família em que alguma tia não costurava ou bordava.

Quando pesquisamos e focalizamos os empreendimentos com viés social destacado, o que se verifica é que, além da oportunidade de trabalho, os participantes dos grupos de produção se integraram em um processo bastante virtuoso.  O Museu da Moda,  o Minas Trend, o pólo de confecções nas regiões do Prado e do Barro Preto são referências nacionais. Além disso, Minas como um todo, e nossa BH em especial, incluem nossos estilistas e suas criações nos cenários nacional e mundial. O belo-horizontino sempre teve uma moda para chamar de sua.


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