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Estado de Minas

Transição para cidades de baixo carbono


postado em 23/10/2018 05:04

 

 


Torna-se, urgente, limitar o aquecimento global a 1,5°C e, para isso, será necessário implementar mudanças significativas e muito rápidas na economia, no estilo de vida e comportamento das pessoas, empresas e governos. Esta é a principal mensagem do último relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC na sigla em inglês) que foi aprovado por 195 países na última segunda-feira em Incheon, Coreia do Sul. Esse anúncio histórico apresenta um panorama extremamente preocupante em relação às consequências imediatas das mudanças climáticas, tais como escassez de alimentos, inundações e incêndios florestais. O alerta reconhece que é tecnicamente possível implementar as mudanças necessárias, mas lança dúvidas sobre a viabilidade política para tais avanços.

Com base em milhares de artigos técnicos, cientistas de mais de 40 países analisaram as diferenças dos impactos climáticos no planeta em um cenário de aumento das temperaturas médias globais acima de 1,5°C. O acréscimo de apenas 0,5°C nesse limite poderá determinar tanto a intensidade como a frequência de eventos climáticos extremos, com prejuízos econômicos que podem alcançar mais de US$ 60 trilhões, segundo estimativa dos autores. A vulnerabilidade relacionada ao clima pode ser ainda intensificada se relacionada aos aspectos sociais e econômicos, bem como à deficiência de infraestrutura básica, como é o caso do Brasil. As consequências relacionadas ao aumento da temperatura impactam sistemas naturais e humanos, de secas e déficits de precipitação, impactos sobre a biodiversidade e os ecossistemas, incluindo a perda e extinção de espécies. Porém, serão muito mais severas em um cenário de aquecimento global de 2°C. O relatório indica a necessidade de redução em 45% das emissões de gases de efeito estufa (GEE) até 2030 (em relação aos níveis de 2010), chegando a zerar o balanço das emissões em torno de 2050.

Para uma rápida e eficiente transição que limite o aquecimento global a 1,5°C, necessitaremos de um esforço humano sem precedentes e o envolvimento de todos os setores da sociedade. Muito embora o panorama urbano seja extremamente relevante para o combate às mudanças climáticas, poucos municípios brasileiros têm incorporado os conceitos, as diretrizes, as ações e até mesmo os compromissos globais previamente estabelecidos em seus respectivos instrumentos de planejamento e gestão urbanas. O Brasil pode lançar mão do conceito de adaptação baseada em ecossistemas (AbE), da utilização de infraestrutura verde com ampla restauração ecológica, de ações efetivas para zerar o desmatamento ilegal, da gestão da biodiversidade, o desenvolvimento da agricultura sustentável, o uso sustentável da terra e o planejamento territorial integrado (incluindo transporte e edifícios). Cidades biofílicas, com a integração entre a questão ambiental e urbana, permitindo que os cidadãos possam aprender com a natureza e se comprometer com a sustentabilidade no dia a dia serão a chave para a minimização dos impactos climáticos e, por isso, devem orientar a política de desenvolvimento das cidades brasileiras.

Apesar da existência de grandes acordos globais, o rebatimento desses compromissos na esfera local continua sendo um dos maiores desafios. A agenda climática precisa ser encarada de forma transversal e participativa, inclusive vislumbrando uma nova economia de base limpa, sustentável e duradoura.

 

 


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