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Estado de Minas TECNOLOGIA

Potencial para inovação

O mercado de tecnologia na capital mineira é um dos mais competitivos do país. Dados do Caged revelem que cresceu 3% de janeiro a junho deste ano


postado em 27/10/2019 04:00 / atualizado em 25/10/2019 18:39

Belo Horizonte vem despontando como polo de inovação no cenário brasileiro(foto: Sólides/Divulgação)
Belo Horizonte vem despontando como polo de inovação no cenário brasileiro (foto: Sólides/Divulgação)


A cada ano que passa, Belo Horizonte se instaura como um dos polos do mercado de programação e desenvolvimento tecnológico no país. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a capital mineira cresceu cerca de 3% de janeiro a junho de 2019 no setor, enquanto a média de crescimento nacional foi de 1,7%. Nesse período, 3.140 profissionais foram contratados, enquanto 2.696 deixaram seus cargos, mostrando a alta rotatividade e a crescente demanda por profissionais desse segmento.
 
A Revelo, plataforma de recrutamento digital, reuniu, no “Raio-X do Mercado de BH”, informações sobre média salarial e distribuição geográfica das contratações na cidade. O estudo baseou-se nos dados mais atuais sobre o mercado de trabalho no Brasil, o Caged e a Rais. Reuniram-se informações relevantes sobre as contratações em tecnologia no mercado de Belo Horizonte, que vem despontando como polo de inovação no cenário brasileiro, como aponta Lucas Mendes, cofundador da Revelo. “O mercado de tecnologia em BH tem se tornado um dos mais competitivos em todo o Brasil. A cidade soube reunir, nos últimos anos, dois fatores essenciais para a inovação: candidatos qualificados e empresas de ponta com oportunidades em aberto. O potencial da região é imenso, e só tende a crescer”, afirma.
 
(foto: Sólides/Divulgação)
(foto: Sólides/Divulgação)
 
 
O cofundador atribui o crescimento do mercado na região ao forte movimento de digitalização das grandes empresas que já existiam em Belo Horizonte e à consolidação de empresas importantes do setor de tecnologia na cidade. “Além disso, é cada vez mais comum que outras companhias relevantes expandam sua atuação para além do eixo Rio-São Paulo”, aponta Mendes.
 
Alessandro Garcia, founder da Sólides, empresa especialista em software para identificação de perfil comportamental usado em processo de contratação, gestão e desenvolvimento de pessoas, reforça o poder de BH nesse setor e destaca a criação da San Pedro Valley, importante ecossistema de startups na capital mineira. “Essa troca de conhecimento entre as empresas de tecnologia tem sido essencial para o ganho de escala”, pontua. Segundo ele, os parceiros mineiros também têm crescido exponencialmente, “acompanhando com a mesma intensidade a evolução das companhias no eixo Rio-São Paulo”.
 
Tendo em vista que o mercado ainda carece de candidatos altamente qualificados na área de tecnologia, e que a demanda por estes profissionais só tende a crescer, as empresas do segmento, e de outros mercados também, de forma geral, devem procurar por soluções digitais para todos os processos que não estejam diretamente relacionados ao seu core business, como a área de recrutamento, por exemplo.
 
A frase “há vagas, mas não há profissionais qualificados”, para o porta-voz da Sólides é real. “Para a área de tecnologia isso é verdadeiro, quando falamos em profissionais qualificados para novas linguagens de programação”, frisa. As mudanças de perspectivas de mercado, com a criação de novos polos de inovação fora do eixo Rio-São Paulo, indo ao encontro de outros profissionais e empresas também são fatores importantes para a consolidação de Belo Horizonte. “Fixar uma empresa em BH é algo vantajoso. O custo pode ser menor em muitos aspectos, quando comparamos com o eixo Rio-São Paulo. Além disso, temos excelentes profissionais na região e muitos profissionais de outras regiões do Brasil interessados em uma oportunidade em BH”, afirma Alessandro Garcia
Segundo Garcia, o mercado de tecnologia cresceu muito no Brasil. Segundo a ABStartups, já são mais de 12 mil startups no país, espalhadas em 595 cidades. “Temos mais startups em Minas (1.083) do que no Rio (838), o que mostra um potencial gigantesco para a nossa região. Importante ainda destacar que BH está em terceiro lugar no número de startups no Brasil (599), perdendo para SP (2.625) e RJ (702)”, ressalta.

CONTRAMÃO DA CRISE Apesar da atual crise de desemprego, que atinge12,6 milhões de brasileiros, de acordo com o cofundador da Revelo, o mercado de programação e desenvolvimento não foi atingido. “Na contramão do cenário de falta de oportunidades, a demanda por profissionais de tecnologia só aumentou no período. Dentro da Revelo, a busca por desenvolvedores front-end cresceu 180% entre 2018 e 2019 em todo o Brasil. Outras duas carreiras da área que tiveram alta expressiva foram de desenvolvedor back-end (95%) e full-stack (86%)”, comenta.
 
Para Alessandro Garcia, o principal problema é a dificuldade de encontrar profissionais com fit cultural. “Os profissionais não podem ser avaliados apenas pela qualidade técnica, mas também pelo comportamento. E isso tem ajudado as empresas a reduzir significativamente a rotatividade e os custos com contratação”, diz.
 
A média salarial de BH também é um ponto importante da pesquisa, porém, é menor que a média salarial nacional. Segundo Lucas Mendes, o salário médio de tecnologia em Belo Horizonte é cerca de 30% inferior aos praticados nos dois principais polos tecnológicos do país, São Paulo e Rio de Janeiro, mas em linha com outros polos regionais, como Campinas, Curitiba, Florianópolis e Recife.
 
A média de salários em Belo Horizonte para este setor é de R$ 6.600 e é menor do que a média nacional, que chega aos R$ 7.500. “No entanto, o fato de a média salarial ser maior para desenvolvedores do Rio e São Paulo serve de alerta para que as empresas da cidade tomem ações preventivas, a fim de evitar a perda de talentos para esses outros polos tecnológicos no Brasil”, aponta Mendes.
 
É também importante destacar que, na capital mineira, o tamanho da empresa tende a ser proporcional ao salário oferecido aos desenvolvedores, “quanto maior o time, maior será o salário médio oferecido”.
 
Outro ponto é o fato de que pequenas empresas oferecem salários menores, mas, de acordo com o Raio X, são responsáveis pela maior parte das contratações em BH. “Em uma cidade com crescente demanda por profissionais de tecnologia, é necessário que empresas inovem o modo como encontram e contratam candidatos qualificados”, conclui Mendes.


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