Jornal Estado de Minas

GREVE METRÔ E TRENS

Greve contra privatizações paralisa linhas de metrô e trem em SP nesta terça (3)

A greve de trabalhadores do sistema de transporte sobre trilhos de São Paulo afeta o início da operação de quatro linhas do Metrô e cinco da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) nesta terça-feira (3/10). A paralisação, organizada em conjunto com servidores da Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo (Sabesp), tem como objetivo protestar contra o plano de privatização das empresas pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos).





 

No terminal Corinthians-Itaquera, na zona leste, passageiros se reuniram em frente ao portão que leva às plataformas enquanto aguardavam informações sobre o serviço. As linhas 3-vermelha do Metrô e 11-coral da CPTM passam pela estação.

 

O operador de máquina Valber Batalha, 52, soube da paralisação à noite, mas decidiu tentar a sorte mesmo assim. Ele ficou sem alternativa de transporte para chegar até Perus, na zona norte, onde trabalha. Para chegar lá, utiliza ônibus e duas linhas de trem. "Se o metrô abrisse eu podia ir até a Barra Funda e pegar um ônibus, mas fiquei sem opção e vou ter que voltar para casa", disse, enquanto fotografava o portão fechado para mandar ao chefe, gesto repetido por dezenas de pessoas.

 

"O patrão, para acreditar, a gente tem que provar", disse Djalma Bessa, 46, que trabalha em Osasco, na região metropolitana, e pega metrô e trem todo dia. Ele disse apoiar o movimento dos trabalhadores, apesar do inconveniente.





 

 

Por volta das 4h30, seguranças posicionaram placas informando que a estação estava fechada em razão da greve.

No mesmo horário, militantes e sindicalistas colaram cartazes no portão com mensagens contra a privatização de serviços públicos e fizeram panfletagem com passageiros.

 

Às 5h, a linha 11-coral foi aberta, com circulação restrita entre as estações Guaianases e Luz, onde há conexão com a linha 4-amarela, que opera normalmente. A linha 7-rubi também está funcionando entre as estações da Luz e Caieiras.

 

O trecho em operação não atendia o destino do jardineiro Alex Nascimento, 46, que não teve alternativa a não ser ir embora para casa, lamentando o dia de trabalho perdido. "Meu serviço é em Mogi e não tenho outro jeito de chegar lá sem pegar trem", disse.





 

Um dos reflexos da paralisação foi o movimento acima do normal no terminal de ônibus em Itaquera. Do lado de fora, na avenida Radial Leste, ônibus extras partiam lotados em direção ao centro da cidade. Filas se formavam rapidamente depois que os veículos partiam.

 

O técnico de serviços gerais Hamilton Esteves, 61, tinha como destino a avenida Paulista. Sabendo da greve, saiu de casa mais cedo que de costume, mas não contava com as longas filas antes de conseguir embarcar no ônibus com sentido ao terminal Parque Dom Pedro II. "Já vi que o caminho vai ser demorado. Talvez atrase, mas não tem o que fazer. Pelo menos vou chegar", disse.

 

O que parou?

 

 

Decisões na Justiça do Trabalho determinaram, na semana passada, que tanto o Metrô quanto a CPTM funcionem com capacidade total nos horários de pico. Nos demais horários, os funcionários devem garantir 80% do efetivo de funcionários.

 

Os funcionários pediram na Justiça o direito de substituir a paralisação por um protesto com catracas livres, uma reivindicação histórica da categoria. O TRT-2 (Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região) recusou essa possibilidade. A juíza Raquel Gabbai de Oliveira, que julgou a ação sobre a greve na CPTM, aceitou o argumento da companhia de que liberar as catracas poderia provocar tumulto e risco de acidentes.

 

Consequência da paralisação   

A prefeitura suspendeu o rodízio de veículos na cidade de São Paulo, nesta terça. Nas escolas estaduais da capital e na região metropolitana, as aulas foram suspensas, mas as atividades seguem mantidas na rede municipal paulistana. O governo paulista anunciou que serviços públicos estaduais de saúde terão ponto facultativo.





 

Esta é a segunda greve no Metrô em 2023. A última ocorreu em março, quando metroviários fizeram uma paralisação de dois dias. Na ocasião, eles pediam reajustes salariais e melhoria das condições de trabalho.

 

Os sindicatos argumentam que as concessões de linhas de transporte e da operação da rede de água e esgoto vão piorar a qualidade dos serviços. Eles usam como exemplo o grande aumento das falhas nas linhas 8-diamante e 9-esmeralda, administradas pela ViaMobilidade.

 

O governador encomendou estudos para privatizar todas as linhas remanescentes da CPTM e tem a intenção de fazer o mesmo com as linhas do Metrô administradas diretamente pela empresa pública. A gestão Tarcísio também está preparando o projeto de lei que autorizaria o repasse da Sabesp à iniciativa privada.





 

O governo paulista Tarcísio fez uma série de críticas à greve convocada para esta terça-feira (3/10) por sindicatos de trabalhadores do Metrô, da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e da Sabesp.

 

Em nota divulgada no fim da tarde desta segunda, a gestão Tarcísio classificou a paralisação como "ilegal e abusiva" e que "torna refém a população que precisa do transporte público", diz o texto. Em outro trecho, afirma que é "absolutamente injustificável" que o direito constitucional de greve "seja sequestrado por sindicatos para ataques políticos e ideológicos à atual gestão".