Jornal Estado de Minas

ESTUDO DA CNT

Deterioração acelerada compromete estradas



Nenhum alento para quem vai enfrentar as estradas de Minas Gerais no próximo feriado da Proclamação da República (15 de novembro), emendado ao fim de semana. Se o patamar de apenas 8,5% das rodovias nacionais consideradas ótimas assustou por ser o pior em 25 anos da pesquisa CNT, o resultado mineiro, com índice de 5,2%, o 15º do Brasil, mostra como os motoristas que trafegam pela maior malha viária do país estão sujeitos a risco de morte e a prejuízos quando ingressam no estado das Alterosas.



Em Minas, o estudo apontou, ainda, 7,9% de vias em péssimo estado e 28,4% ruins. (Confira a tabela.) Em todo o país, as estradas péssimas, ruins e regulares correspondem a 66% de toda a malha. A 25ª Pesquisa CNT de Rodovias 2022 foi publicada ontem e chama a atenção para a deterioração das estradas brasileiras, o que não é diferente nas que cortam Minas Gerais.

Entre as 10 melhores, todas concedidas à iniciativa privada, a melhor mineira foi a BR-050, em Araguari, no Triângulo, em terceiro lugar. Entre as rodovias federais de administração pública que passam por Minas Gerais e outros estados, receberam o conceito ótimo as BRs135 e 146. Foram avaliadas como boas as BRs 040, 050, 116, 120 e 122. As BRs 464, 474, 491, 494, 497 e 499 são consideradas ruins. Outras 25 foram consideradas regulares, entre elas as BRs 262 e 381.

Ao todo, o estudo identificou que Minas Gerais tem 9.718 quilômetros de rodovias com problemas e 397 pontos críticos. O montante representa 63,7% dos 15.256 quilômetros pesquisados no estado. Os demais 36,3% de extensão foram considerados com condição satisfatória, sendo que 0,1% está com o pavimento totalmente destruído, segundo a pesquisa.




  
Quando avaliada apenas a malha pavimentada, 76,8% das estradas apresentam algum tipo de problema, sendo consideradas regular, ruins ou péssimas, e 23,2% são consideradas ótimas ou boas. "As condições do pavimento no estado geram aumento de custo operacional do transporte de 40,6%. Isso se reflete na competitividade e no preço dos produtos", informou a CNT.

A sinalização apresentada em 71,4% da extensão da malha rodoviária da região é considerada regular, ruim ou péssima; 28,6%, ótima ou boa. Do total, 4,5% da extensão estão sem faixa central e 12,3% não têm faixas laterais. A pesquisa mostra também que o  traçado (geometria da via) de 75,6% das vias apresenta algum tipo de problema, enquanto 24,4% estão ótimo ou bom.

As pistas simples predominam em 88,6%. Falta acostamento em 52,9% dos trechos avaliados e 24,4% dos trechos com curvas perigosas não têm sinalização. "São rodovias não modernizadas, sem ampliações e que passaram a receber um fluxo crescente com o aumento da frota. Há situações críticas, como a falta de acostamento, também um resultado da idade (das rodovias) e da falta de investimentos. O acostamento é um refúgio importante para manutenção de quem se encontra em uma emergência e eleva os riscos de acidentes quando não há esse espaço para quem precisa parar", alerta Bruno Batista, diretor-executivo da CNT.





Para recuperar as rodovias em Minas Gerais, com ações emergenciais, de restauração e de reconstrução, são necessários R$ 14,10 bilhões. Em 2022, estima-se que haverá um consumo desnecessário de 170 milhões de litros de diesel devido à má qualidade do pavimento da malha rodoviária no estado. Esse desperdício custará R$ 775,73 milhões aos transportadores.

PELO PAÍS 

A Pesquisa CNT de Rodovias 2022 mostra que o pavimento considerado desgastado no Brasil responde por 50,5%; o que contém trincas, malhas e remendos chega a 35%; as estradas onde há afundamentos, ondulações e buracos abrangem 5%; e as que foram simplesmente destruídas, 0,6%. "Há 10 anos, as rodovias perfeitas eram 35%. Pela  primeira vez em 10 anos, esse índice caiu abaixo dos 10%, o que demonstra uma grande degradação das rodovias e um investimento que só diminuiu", afirma Bruno Batista, diretor-executivo da CNT.

Os dados apontam que o estado geral da malha rodoviária brasileira piorou em 2022. Dos 110.333 quilômetros avaliados, 66% foram classificados como regular, ruim ou péssimo. Em 2021, esse percentual era de 61,8%. Com o objetivo de colaborar para o desenvolvimento do transporte rodoviário de cargas e de passageiros, a Confederação avalia 100% da malha rodoviária pavimentada federal e as principais rodovias estaduais. Durante 30 dias, 22 equipes percorreram as cinco regiões do Brasil.





Em toda a malha pesquisada, foi observada uma piora significativa no item “pavimento” em relação ao resultado de 2021. A CNT identificou que 55,5% (61.311 quilômetros) da extensão encontram-se em estado regular, ruim ou péssimo, um acréscimo de 3,3 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Para a “sinalização”, 60,7% (66.985 quilômetros) foram considerados deficientes (regular, ruim ou péssimo), enquanto para “geometria da via” esse índice corresponde a 63,9% (70.445 quilômetros).

Operação no feriado 

A Polícia Militar Rodoviária de Minas Gerais organiza a Operação Proclamação da República para o feriado de 15 de novembro, que contará com ações de combate e prevenção em várias frentes. A ação começa a partir das 7h de 11 de novembro, na MGC-356, em frente ao BH Shopping. De acordo com o tenente Muniz, da PMRv, estarão envolvidos no local efetivo da Polícia Militar (PM) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Além disso, todos os policiais de administração e operações estão convocados, totalizando cerca de 2 mil policiais.

"Todas as rodovias mineiras estaduais e federais estarão sob a operação de patrulha. A PRF vai apoiar, pois Minas Gerais tem a maior malha rodoviária do Brasil", disse. A frota das viaturas também foi renovada para o policiamento rodoviário. "Faremos operações de prevenção de acidentes e com apoio da Companhia Tático Rodoviária, operações repressivas fiscalizando ônibus e caminhões."

O tenente contou ainda que há preocupação com a Lei Seca, que será priorizada devido ao grande número de ocorrências de ingestão de bebida alcoólica nos feriados. “ O crime de trânsito ocorre quando há presença acima de 0,34mg de álcool no ar expelido pelos pulmões”, explicou.