Jornal Estado de Minas

VILA LEOPOLDINA

Galpão da Cinemateca Brasileira, em São Paulo, pega fogo nesta quinta



Um galpão de propriedade da Cinemateca Brasileira pega fogo na Vila Leopoldina, em São Paulo, no início da noite desta quinta (29/7). De acordo com o Corpo de Bombeiros, o imóvel se localiza na Rua Othão, 290, e tem aproximadamente 6 mil metros quadrados.



O galpão guarda parte do acervo audiovisual do país. O edifício principal da Cinemateca Brasileira, na Vila Mariana, não foi atingido.

 

De acordo com os bombeiros, 17 viaturas estão no local. Os militares usam escadas para combater as chamas na parte superior do galpão. O chamado aconteceu por volta das 18h.

 

Segundo a corporação, o incêndio começou durante uma manutenção no ar-condicionado do galpão. Três salas se queimaram: duas que guardavam filmes e outra que armazenava arquivos impressos. 

 

Ainda conforme os militares, filmes das décadas de 1920 até 1940 se danificaram. Eles estavam no primeiro andar do imóvel.

 

Cerca de 300 metros quadrados se queimaram. Por volta das 20h30 desta quinta, as chamas estavam controladas.





 

Histórico

 

A Secretaria do Patrimônio da União doou o imóvel à Cinemateca Brasileira em fevereiro de 2009, durante o governo Lula (PT). O galpão tem 8,4 mil metros quadrados, mas 6.356 m² de área construída.

"Trata-se de uma região que concentra empresas ligadas à produção audiovisual e tem potencial para tornar-se um polo de cinema", informa o site oficial da Cinemateca Brasileira.  

Em 2011, a Cinemateca iniciou a implantação de reservas específicas para guardar acervos no galpão em chamas nesta quinta.

Há áreas de processamento de acervos fílmicos e documentais, laboratório de impressão fotográfica digital e instalações administrativas, de apoio e serviços no local.

A Cinemateca Brasileira é administrada hoje pela Secretaria Nacional do Audiovisual, braço da Secretaria Especial de Cultura e subjugada ao Ministério do Turismo.



Ainda em 2016, um dos galpões da Cinemateca foi atingido por um incêndio que destruiu 1 mil rolos de filmes, correspondentes a 500 obras. A maior parte era formada por cinejornais.

 

Abandono

 

Com a função de preservar e difundir o acervo audiovisual brasileiro, a Cinemateca Brasileira era administrada pela Associação Roquette Pinto (Acerp), uma Organização Social (OS) até o ano passado.

 

Mas, o Ministério da Educação (MEC), na gestão do ex-chefe da pasta Abraham Weintraub, não renovou o contrato com a Acerp. O governo federal prometeu lançar novo edital para a função, mas isso nunca saiu do papel.

 

A Associação Roquette Pinto administrava a Cinemateca a partir de um contrato obtido junto ao MEC para gestão da TV Escola. Dessa maneira, o serviço no acervo histórico estava "na esteira" do canal.

 

Sem repasse, a Cinemateca somou inúmeras dívidas, até mesmo de contas de luz e água. O Ministério Público Federal (MPF) chegou a alertar o governo federal do abandono do galpão.

 

A reportagem fez contato com o Ministério do Turismo e aguarda posicionamento.





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