Jornal Estado de Minas

COVID-19

Brasileiros são os que mais sentiram impacto da pandemia em todo o mundo

Com um ano de pandemia, a ilusão de uma adapção rígida no convívio social por apenas 15 dias ficou para trás. Tudo mudou em menos de um mês e aos poucos, as pessoas passaram a sentir os efeitos do isolamento social em todo mundo, especialmente no Brasil. Segundo uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (19/5) os brasileiros são líderes no quesito 'sentir impactos da pandemia em seu cotidiano'. 




 
O levantamento feito pelo Grupo Kantar, foi realizado em 21 países com 11.500 pessoas, entre os dias 15 a 19 de abril deste ano. Dos brasileiros entrevistados, 77% afirmaram que sentiram o impacto da pandemia em seus cotidianos. 
 
Em todo o mundo, a média de pessoas que contraíram o vírus ou conhecem alguém que se infectou é de 42%, menos da metade do resultado entre os brasileiros, de 87%. Deles, 16,2% tiveram coronavírus, 60,5% um parente próximo e 50,1% um amigo próximo. Globalmente esses números foram 8%, 23% e 23%, respectivamente.
 
A preocupação com a situação foi outro ponto abordado e, novamente, o Brasil lidera em medo, com 55% dos entrevistados extremamente preocupados, contra 31% no levantamento mundial.  
 
Um dos escapes da pandemia e maneira de deixar as pessoas conectadas são as redes sociais. Entretanto, a internet também é a maneira mais usada para difundir as informações sobre o momento, o que causa um grande fluxo de informações, que nem sempre são relacionadas à um assunto que o usuário queira acompanhar. 




 
Devido à pandemia, um tema muito específico e pouco falado, começou a ser recorrente nas rede sociais, a morte. O impedimento de realizar velórios e se despedir de entes queridos é um dos principais motivos para as pessoas realizarem publicações em homenagem à alguém que partiu. 
 
Mas os constantes posts sobre luto, em um canal que antes era visto como forma de distração, passaram a desencadear sentimentos de tristeza e medo entre os usuários. Segundo a Fundação Dom Cabral (FDC), essas são as principais reações encontradas na internet, diante de uma publicação sobre mortes pela COVID-19. 
 
Para evitar aglomerações, a despedida de muitas famílias precisou ser virtual, mas segundo a psicóloga Luciana Carvalho, os velórios e enterros são essenciaias na elaboração do luto.




 
"O luto se torna mais difícil de ser elaborado sem as missas, velórios ou enterros. O que a pessoa tem para expor são as redes sociais. Para o enlutado, é saudável se expressar através disso. É uma forma de homenagear o ente querido”, diz a psicóloga especialista em luto.
 
Apesar de ser importante para quem está passando pela situação, as publicações causam uma tensão em quem lê. O medo e a tristeza são normais e, até, esperados, segundo Luciana: “Para a pessoa que vê isso, é esperado que sinta medo e tristeza. É natural estarmos todos um pouco tristes com a situação. O medo existe a partir do momento que a morte se tornou muito próxima de todos, ainda mais na nossa cultura ocidental”. 
 
Mas a psicóloga faz um alerta para que o comportamento de sensibilidade com a dor do outro, não se transforme em uma síndrome e cause pânico, ansiedade e outros sintomas que fazem mal à saúde: “Até um certo ponto, sentir medo e tristeza faz parte, é humano ter compaixão. O que não pode acontecer é a pessoa viver todo o tempo voltado para olhar a situação da pandemia nas redes. Aí, ela passa a ter um comportamento, de certa forma, patológico. Pode desenvolver uma síndrome do pânico ou depressão”. 




 
Estar por dentro das notícias sobre a pandemia é algo essencial e segundo o levantamento realizado pelo Grupo Kantar,  62% dos brasieliros afirmaram que acompanham com frequência os noticiários, porém o excesso de informações das redes soiais e veículos de comunicação, podem causar as mesmas sensações de desespero. 
 
Para evitar que isso aconteça, a psicóloga deixa uma orientação: “Sugiro que essas coisas que estão deixando a pessoa com medo e tristeza sirvam de incentivo para que tome os devidos cuidados, evitando que ela ou a família se contamine. O usuário não precisa, também, só focar na questão da doença e das mortes. É necessário impor limites, não se encher de informações. Não é ser negacionista, mas se afogar nas informações também não é saudável”. 

Vacinação

Na pesquisa realizada pelo Grupo Kantar, o Brasil também é líder em expectativa pela vacinação. Com 66% dos entrevistados afirmando que definitivamente se imunizarão e 20% provavelmente. Globalmente apenas 43% responderam definitivamente sim e 27% possivelmente.




 
Mesmo com vontade de serem vacinados, os brasieliros ainda enfrentam uma série de dificuldades e incertezas sobre quando, finalmente, terão direito às doses. Segundo o balanço dessa terça-feira (18/5), o número de pessoas vacinadas com ao menos uma dose contra a COVID-19 no Brasil chegou a 39.897.840, o equivalente a 18,84% da população total.
 
Com histórico de ótimas campanhas nacionais de imunização, o Brasil dá curtos passos em direção a aplicação das doses contra COVID-19. Uma das principais vacinas usasdas no país, a CoronaVac, fabricada pelo Instituto Butantan, passa por mais uma dificuldade para ser produzida.
 
Na semana passada, o instituto já tinha anunciado outra pausa na produção por falta de insumos vindos da China. Em entrevista à Agência Brasil, o  governador de São Paulo, João Doria, disse que o material não tinha sido liberado por causa de 'declarações desastrosas' feitas por autoridades do governo brasileiro em relação à China e à própria vacina.




 
Nesta quarta-feira (19/5), o presidente do Butantan, Dimas Covas, anunciou que o país asiático encaminhará apenas três mil litros de insumos para a produção, cerca de 1/3 da quantidade informada anteriormente, de 10 mil litros, o que era suficente para produzir 18 milhões de doses. 
 
Agora, segundo a Agência Brasil, os 3 mil litros de insumos autorizados pelo governo chinês devem chegar entre os dias 25 e 26 de maio e são suficientes para fabricar, apenas, cerca de 5 mil doses do imunizante.
 
Enquanto a vacina não é para todos, a melhor maneira de se cuidar é a prevenção da doença, mantendo as medidas recomendadas com o uso de máscaras, higiene das mãos e distanciamento social. 
 
Esses cuidados pessoais também cresceram significativamente. Segundo a pesquisa da Kantar, 69% dos brasileiros se mostram muito atentos na adesão de medidas de saúde e segurança, 58% ficam bravos quando veem regras sendo desrespeitadas e outros 58% se afastam quando outras pessoas se aproximam em espaços públicos.
 
* Estagiária sob supervisão da subeditora Ellen Cristie. 




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