Jornal Estado de Minas

Pandemia

Queiroga garante 30,5 milhões de vacinas contra covid-19 para abril

Sob pressão para acelerar o ritmo de vacinação contra a covid-19 no Brasil, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou, nesta segunda-feira (12/4), que o governo federal tem assegurado para o mês de abril 30,5 milhões de doses do imunizante contra a covid-19. Segundo o cardiologista, a quantidade é a que a pasta da Saúde tem como “certa” e será produzida pelo Instituto Butantan e pela Fundação Oswaldo Cruz.



“Em relação ao cronograma, o que nós temos são doses estimadas porque isso depende das entregas. Agora, no mês de abril, nós temos asseguradas 30,5 milhões de doses dessas vacinas, que são produzidas nas nossas duas instituições, Fiocruz e Instituto Butantan. Isso é o que a gente tem certo”, declarou durante coletiva de imprensa no evento de lançamento da campanha de vacinação contra a gripe.

O ministro explicou que havia uma possibilidade do Ministério da Saúde contar com a vacina Covaxin, da Bharat Biotech, porém o imunizante não obteve autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser importado e aplicado na população brasileira.

“Houve problema de registro. Isso estava tratado com a Bharat Biotech. Infelizmente, a Anvisa não autorizou e a gente teve que retirar essa previsão de doses”, disse.

Cronograma sem atualização

Apesar de afirmar que retirou a previsão do recebimento dessas doses, o cronograma de recebimentos de imunizantes contra a covid-19, divulgado no portal do Ministério da Saúde, ainda conta com os 8 milhões de doses da Covaxin que seriam entregues até o final deste mês. Isso porque o documento não é atualizado desde 19 de março.





No cronograma divulgado está prevista a entrega de 47,3 milhões de imunizantes contra o novo coronavírus. Questionado pelo Correio na última semana, o Ministério da Saúde respondeu que ainda não sabe se o documento irá prosseguir com as atualizações.

A orientação da pasta aos jornalistas foi para que buscassem atualizações do cronograma junto aos respectivos laboratórios que fecharam acordo com o governo federal, a fim de confirmar o número de vacinas que serão entregues ao país.

Campanha “acelerada”

Apesar de reconhecer que tem capacidade para vacinar mais brasileiros, o ministro Queiroga acredita que a campanha de vacinação contra a covid-19 está “acelerada” no Brasil. “O Brasil já é o quinto país que mais vacina e o nono país que mais vacina por 100 mil habitantes, e nós já vacinamos 1 milhão de pessoas por dia”, disse.




O cardiologista lamentou não ter mais vacinas disponíveis para poder imunizar os brasileiros, mas reforçou que este não é um problema só do Brasil. “É claro que nós queríamos vacinar mais. Lamentavelmente nós não temos essa quantidade de vacinas. Nem nós, nem a maioria dos países do mundo”, ponderou.

Segundo Queiroga, se o país tivesse garantido entre 40 e 50 milhões de vacinas nos próximos três meses, ele atingiria a capacidade de imunizar 2,4 milhões de indivíduos por dia. Para sanar a falta de vacinas disponíveis, o ministro garantiu que busca na diplomacia com outros países, a entrega mais célere de insumo farmacêutico ativo (IFA), necessário para a produção das vacinas no Brasil, e até mesmo imunizantes prontos.

“Eu não quero aqui me ater a detalhes dessas negociações porque são negociações internacionais sensíveis, e que nós não podemos estar antecipando essas questões sob pena de perder a oportunidade de negócio. Nenhum de nós aqui quer que o Brasil perca a oportunidade de adquirir uma dose sequer de vacina”, justificou a falta de informações sobre acordos com outros países.

Queiroga se retirou um pouco antes do fim da coletiva de imprensa por causa de uma reunião e pediu “licença” aos jornalistas presentes a fim de buscar mais vacinas para o país. “Eu vou pedir desculpas a vocês porque eu preciso conseguir mais vacinas para o Brasil. Se eu tiver alguma coisa certa, pode ter certeza que vou falar para vocês”, completou antes de se retirar do evento.





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