Jornal Estado de Minas

PANDEMIA

COVID-19: Brasil bate EUA em média de casos; curvas de óbitos se aproximam

A rápida disseminação do novo coronavírus em território nacional faz o Brasil “encostar” na curva de casos e mortes por COVID-19 nos Estados Unidos, nação mais afetada pela pandemia. Nessa terça-feira (9/3), o país atingiu média de 67.929 novas infecções nos sete dias anteriores. Em solo estadunidense, a média foi de 64.539. Ainda ontem, 1.972 brasileiros sucumbiram à doença, ante 1.885 mortes de norte-americanos.



A aproximação parecia irreal em 5 de janeiro — a primeira terça-feira daquele mês —, quando os Estados Unidos registraram 235.027 novos casos, contra 56.648 contabilizados no Brasil.

A vacinação, a “saturação” do vírus e os momentos distintos vividos pelos países no enfrentamento à pandemia explicam a queda por lá e a subida por estas bandas.

No quinto dia deste ano, a terra comandada por Joe Biden perdeu 3.689 cidadãos para o coronavírus. Àquela altura, a média de baixas diárias, considerando a semana anterior, era de 2.665. Já o Brasil teve 1.171 óbitos — a média estava em 722.

Entre 2 e 9 de março, contudo, os Estados Unidos viram a média cair para 1.660, enquanto a nação de Jair Bolsonaro (sem partido) saltou para 1.573 óbitos como média a cada 24 horas, número próximo ao visto na nação da América do Norte.



Nos últimos sete dias, Brasil registrou média de casos superior aos dados vistos nos EUA (foto: Soraia Piva/EM/D.A Press)


O país é o terceiro em número de casos, atrás da Índia e dos Estados Unidos. No que tange às mortes, apenas os estadunidenses têm estatísticas superiores. Nessa terça-feira (9/3), o Brasil foi a nação com mais novos casos em todo o globo: 70.674.

Com considerável oferta de vacinas, os Estados Unidos têm conseguido, gradativamente, imunizar a população idosa. Aproximadamente 60% dos maiores de 65 anos já receberam ao menos uma dose das injeções disponíveis, informou levantamento feito pela emissora “CNN”, com base em dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), e divulgado na segunda-feira (8/3).

“Mesmo não tendo uma vacinação tão grande quanto imaginávamos, o número de casos já cai drasticamente nos Estados Unidos. Como caiu na Inglaterra e em Israel. Nos países que estão fazendo a vacinação em massa, percebemos que, quando chegam a 15% da população imunizada, o número de casos diminui”, diz o médico Marcelo Daher, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).



Daher explica que os vírus tendem a se desgastar após contaminar a maioria dos cidadãos que, em tese, são mais vulneráveis.

“Se eu começo a ter muitas pessoas próximas infectadas, o vírus perde força, pois não tem como se propagar mais”, afirma. Ao cenário, soma-se o “delay” visto no Brasil: segundo o infectologista, cenários vistos na Europa e nos Estados Unidos ocorrem em território nacional apenas tempos depois.

“O que a gente está enxergando lá, vai enxergar aqui uns dois meses depois. Podemos estar vendo essa grande guinada para cima aqui como o que aconteceu (nos EUA) em janeiro. Talvez a nossa queda se dê em abril”, vislumbra.

Enquanto média de óbitos cai em solo estadunidense, curva brasileira está em viés de alta (foto: Soraia Piva/EM/D.A Press)

Metas para conter o vírus

A transmissão da COVID-19 em solo brasileiro tem sido impulsionada pelas variantes do vírus. Embora preveja mais dias difíceis neste momento, Marcelo Daher crê que, assim como no país da América do Norte, as vacinas podem ter papel essencial.



“Acredito que março ainda vai ser um mês muito ruim para a gente, com muitos óbitos e casos. Vai começar a cair em abril. Talvez, com isso, a gente ganhe tempo para vacinar mais gente e comece a diminuir essa curva”, opina.

Ainda conforme o infectologista, aumentar a quantidade de exames diagnósticos pode auxiliar no monitoramento da doença. “Testar é fundamental. A testagem é muito importante. É o que permite identificar como está a transmissão da doença. Se guiar somente pelo número de internações e mortes é estar atrasado. Precisamos nos guiar pelo número de casos novos”.

Correção de rota nos EUA

Assim como o Brasil, os Estados Unidos iniciaram a pandemia com pílulas de negacionismo vindas da presidência da República. Donald Trump, que deixou o cargo em janeiro deste ano, deu diversas declarações minimizando os impactos do vírus.

O sucessor, Joe Biden, assumiu com a meta de imunizar 100 milhões de cidadãos nos 100 primeiros dias de governo.

Na semana passada, o infectologista Anthony Fauci, principal figura do combate à pandemia nos Estados Unidos, explicou que os números indicam que o país atravessa momento de “estabilidade” no enfrentamento à doença.

Apesar da queda na curva de casos e óbitos, ele pediu a continuidade das medidas restritivas e sanitárias. Segundo o especialista, aliviar as ações de precaução pode provocar novo aumento nas estatísticas.



audima