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Estado de Minas COVID-19 1 ANO

Negação, lições sofridas e mais de 251 mil mortos marcam 1 ano de pandemia

Na luta contra o coronavírus desde 26 de fevereiro de 2020, o Brasil tenta sem sucesso conter a velocidade da contaminação, agora, agravada pela mutação


26/02/2021 04:00 - atualizado 26/02/2021 08:14

Aquela parecia ser só mais uma semana de carnaval. Pelas ruas, aglomerações, batuques, sorrisos e danças. Contudo, a quarta-feira de cinzas deu um sombrio sinal, com o primeiro caso de contaminação pelo novo coronavírus em solo brasileiro.


O dia 26 de fevereiro de 2020 foi o ato de largada da árdua batalha contra a COVID-19 – saga que o país ainda enfrenta. Um ano depois que a doença se instalou, a situação é crítica, e as mutações que se espalham pelos estados ajudam a dar forma ao pior momento da luta.



O vírus já provocou 251.498 mortes e o número de óbitos registrados ontem, 1.541, foi a segunda maior marca durante a pandemia. O dramático recorde só não foi maior que o ocorrido em 29 de julho de 2020, quando 1.595 vidas foram perdidas no país, segundo os dados do Ministério da Saúde.

 

O número de infectados alcança 10.390.461, sendo 66.988 novos casos em 24 horas.  Em patamar alarmante, a média móvel de óbitos diários está acima de mil há mais de um mês. Nessa quinta-feira (25/02), alcançou 1.582 registros, segundo recorde seguido.

A vacina surgiu como sopro de esperança mundial, mas no Brasil persiste a lentidão e a escassez de imunizantes, uma vez que o governo brasileiro ficou para trás na disputa junto aos laboratórios. O país não passou até agora de 6,3 milhões de doses aplicadas, o que não alcança 3% da população com uma primeira ampola.

 

Momentos cruciais // O caos das mortes por falta de oxigênio em Manaus, que forçou a transferência de pacientes, no mês passado, para outros estados, e a vacinação com escassez de ampolas, que nem sequer completou a imunização dos idosos(foto: Michael Dantas/AFP - 15/1/21)
Momentos cruciais // O caos das mortes por falta de oxigênio em Manaus, que forçou a transferência de pacientes, no mês passado, para outros estados, e a vacinação com escassez de ampolas, que nem sequer completou a imunização dos idosos (foto: Michael Dantas/AFP - 15/1/21)

Os contornos dramáticos são ampliados pelas recentes crises regionais. No Amazonas, pacientes sucumbiram à ausência de oxigênio e foi necessária a transferência de pacientes para outros estados, o que também pode ter ajudado a propagar a nova cepa do coronavírus.

Em Minas Gerais, Uberaba Uberlândia precisaram endurecer restrições para evitar o colapso dos seus sistemas de saúde, com o avanço das contaminações. Em paralelo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina também lutam contra o caos. A Bahia, por sua vez, começa a sentir a falta de equipes de saúde.

 

Somadas, as variantes descobertas em Manaus e no Reino Unido atuam em ao menos 17 estados. No mês passado, o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, alertou, à TV Cultura, a possibilidade de, em até dois meses, o país atravessar uma “megaepidemia” provocada pelas novas cepas. Ontem, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, admitiu as dificuldades do momento da pandemia.

 

“O vírus mutado tem três vezes mais capacidade de contaminação e a velocidade pode surpreender o gestor em termos de estrutura e apoio. Essa é a realidade que temos hoje no Brasil”, disse Pazuello, ao reconhecer que o país enfrenta “nova etapa” da pandemia. Os presidentes dos conselhos nacionais de secretários de saúde estaduais (Conass) e municipais (Conasems), Carlos Lua e Wilames Freire, alertaram para indicadores acima de 90% de ocupação de leitos hospitalares.

 

Colapso




Na semana passada, o governo anunciou o repasse, até julho, de mais 230,7 milhões de doses de vacinas contra a COVID-19 aos estados. Apesar disso, o ritmo de vacinação preocupa: estudo das universidades federais de São João Del Rei (UFSJ) e de Juiz de Fora (UFJF) aponta que, para conter a pandemia em um ano, o Brasil precisa vacinar 1 milhão de pessoas ao dia. Se isso não ocorrer, o número de óbitos pode dobrar. No estágio atual, com cerca de 180 mil injeções ministradas diariamente, o tempo para controlar a pandemia seria de aproximadamente dois anos. Minas Gerais pode enfrentar mais de 40 mil novas mortes em um ano se o processo de vacinação não ganhar agilidade.

 

O país tem feito poucos testes – cerca de 22,2 milhões, segundo dados atualizados neste mês. “Os números mostram que não houve qualquer medida de detenção da transmissão da COVID-19. Pelo contrário”, diz Domingos Alves, professor de Medicina da Universidade de Ribeirão Preto. Agora, tempo em que o Brasil, além de retornar a patamares de casos e mortes alcançados no início da pandemia, precisa lidar com as novas cepas, fazer mais exames seria essencial para monitorar o espalhamento do vírus.

 

No Sul do país, o governo catarinense age para evitar desabastecimento de remédios e sufocamento da rede de atendimento. O Ministério da Saúde foi acionado devido à demanda de remédios necessários ao processo de intubação. No Rio Grande do Sul, a solução foi recorrer ao nível máximo do plano de contingência. A ocupação das vagas de terapia intensiva ultrapassa os 90%. Cirurgias eletivas estão suspensas, leitos emergenciais serão instalados em espaços como salas de recuperação e profissionais de outros setores serão deslocados para reforçar o atendimento.

 

Sem rumo

O Brasil tem lidado com contornos particulares: desde o início do ano passado, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) põe em xeque as medidas restritivas defendidas por especialistas. A descrença era tamanha que ele entrou em rota de colisão com Mandetta, seu antigo ministro. Em abril, o oncologista Nelson Teich assumiu o posto, mas durou menos de um mês. Assumiu o general Eduardo Pazuello, tido como especialista em logística e apresentado como interino, mas posteriormente efetivado. Entre abril e maio, a pasta teve três chefes em cerca de 30 dias.

 

Paralelamente, peças da equipe formada por Mandetta iam desembarcando. “A troca total da equipe do Ministério da Saúde – e não estou falando do ministro, que você pode trocar –, mas da retirada de Wanderson, Gabbardo e de todos que estavam ali embaixo, substituindo-os por militares, é uma bomba atômica dentro do setor de saúde, que deveria acarretar em queda de 100% da Bolsa, e não de 20%, como no caso da Petrobras. É de total indignação o que nós, as famílias e as empresas estão sofrendo por culpa única e exclusivamente do presidente da República, que brincou e brinca com a vida das pessoas”, protesta Mandetta, fazendo menção à recente troca na presidência da estatal de petróleo. (Colaboraram Gabriel Ronan, Bruna Lima, Maria Eduarda Cardim, Natália Bosco e Carinne Souza)

O que é o coronavírus

Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte.


transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.


A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de água e sabão para lavar as mãos ou álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.

Vídeo: Flexibilização do isolamento não é 'liberou geral'; saiba por quê

Principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia
  • Em casos graves, as vítimas apresentam:
  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal
  • Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus 

Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.


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