Jornal Estado de Minas

CORONAVÍRUS NO BRASIL

Teich critica flexibilização e defende uso de hospitais de campanha para isolamento de pacientes com COVID-19

Ex-ministro da Saúde, Nelson Teich criticou as estratégias utilizadas para flexibilização do isolamento social no Brasil e defendeu uma mudança na análise da pandemia para a projeção de uma retomada sem volta no país, propondo utilizar hospitais de campanha parados para isolar pessoas infectadas com o novo coronavírus (COVID-19).


Em debate realizado neste domingo, no canal Globonews, o oncologista disse que é impossível definir, no momento, quando a pandemia terminará. Ainda afirmou que permitir a volta das cidades à rotina, para depois fechá-las, gera ainda mais ansiedade e transtornos à população.

Teich propôs que o Brasil volte a trabalhar de forma técnica, em análises locais de regiões e municípios, para chegar a critérios mais bem consolidados visando a uma saída definitiva do isolamento social.

“Não sabemos exatamente como isso vai caminhar. O que seria interessante, a partir de agora, é tentar aprender um pouco, tratar o isolamento como uma coisa mais técnica também. Não conseguimos, hoje, enxergar com clareza critérios para a saída. O que temos hoje são critérios para tentar sair, que é completamente diferente, e fica esse vai e volta. Vai trazer cada vez mais angústia, quanto mais tempo a gente passar sem conseguir mostrar para a sociedade que temos uma estratégia, uma capacidade de conduzir para uma saída definitiva”, comentou.



Depois de quatro meses e meio da confirmação do primeiro caso, o Brasil atingiu, neste domingo, 1.864.681 infecções confirmadas de COVID-19, com 72.100 óbitos, segundo o Ministério da Saúde. A taxa de incidência da doença é de 887 pessoas a cada 100 mil habitantes e a taxa de mortalidade é de 34 infectados a cada 100 mil habitantes. A taxa de letalidade do vírus no país é de 3,9%.

“Temos que trazer as estratégias de distinguir as situações das diferentes cidades, ainda dá tempo de unificar isso. Pegar uma boa parte do Brasil e ter estratégias de distanciamento com base em alguma coisa que te gere informações que você consiga entender o que fazer”, argumentou.

Isolamento de pessoas infectadas em hospitais de campanha

O ex-ministro ainda defendeu que usando os testes hoje disponíveis no país, é possível saber mais onde estão as pessoas infectadas e isolar esses pacientes do restante da população. Teich exemplificou que em comunidades é difícil que se mantenha o distanciamento, principalmente de familiares.



“Eu trabalharia mais a parte do PCR para diagnosticar pessoas e tentar fazer um isolamento por rastreamento,com rastreamento, pegando contatos. Em paralelo, tem que criar condições para que essas pessoas sejam isoladas, principalmente em comunidades. Pode pegar esses hospitais que estão vazios e usar para deixar as pessoas protegidas. Não só elas, mas as famílias também. Se essa pessoa volta para casa e tem cinco familiares, é muito difícil ficar separado quando o cômodo é pequeno”, declarou.

“A situação hoje é, como não sabemos como vai evoluir, ainda é tempo de parar e refazer o planejamento, a estratégia, mesmo que tenhamos que começar um pouco do zero, fazer isso agora é importante. Eu faria isso agora”, finalizou.