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Estado de Minas AMEAÇA

Deputado do PSL invade hospital para pacientes com COVID-19 na Bahia

Segundo a Secretaria de Saúde do estado, o deputado estava acompanhado de seguranças e ameaçou profissionais de saúde; parlamentar nega a versão da pasta


postado em 17/06/2020 15:45 / atualizado em 17/06/2020 16:12

 

O Hospital Riverside é dedicado a pacientes com coronavírus (foto: Divulgação/Governo da Bahia)
O Hospital Riverside é dedicado a pacientes com coronavírus (foto: Divulgação/Governo da Bahia)

O deputado estadual Capital Alden (PSL) invadiu, nesta quarta-feira (17/6), o Hospital Riverside, em Lauro de Freitas, Região Metropolitana de Salvador (BA). Segundo a Secretaria de Saúde do estado (Sesab), o parlamentar estava acompanhado de seguranças e ameaçou profissionais da saúde. O hospital é dedicado ao tratamento e diagnóstico de pacientes com COVID-19.

"Durante todo o momento, o deputado ameaçava os profissionais da unidade de dar voz de prisão e demonstrava estar armado", informou a Sesab. A unidade de saúde é uma área de isolamento respiratório e de contato, onde acompanhantes e visitas são proibidas.


Segundo a pasta, um dos seguranças do parlamentar posicionou-se na porta de um dos quartos, tendo acesso a uma paciente nua devido ao banho no leito.

"É lamentável que o deputado e os seus seguranças coloquem em risco a própria saúde, sob risco de serem infectados com covid-19, bem como a de pacientes e profissionais", acrescentou a secretaria. Um boletim de ocorrência foi registrado para apuração do caso.

O secretário de saúde do estado, Fábio Vilas-Boas, postou um vídeo no Twitter que seria do momento da invasão. Nas imagens, o deputado fala que vai entrar na unidade e filmar o local, pois é o seu papel como fiscalizador. Ele também responde a uma pessoa que pode processá-la caso sua imagem seja veiculada indevidamente.

"A invasão do Hosp. de Campanha Riverside pelo Deputado PM Capitão Alden, ocorrida hoje, indigna toda a Bahia e traz vergonha ao parlamento e à corporação. Melhor se usasse de suas prerrogativas para ajudar a encontrar soluções para o quadro que vivemos", escreveu Vilas-Boas.

O deputado comentou o episódio nas redes sociais e se defendeu da acusação da Secretaria de Saúde, segundo ele, não estava armado. "Fui fazer o meu trabalho como deputado estadual, fui fiscalizar e continuarei fiscalizando e cobrando informações da Secretaria de Saúde do Estado, pois foi também para isso que fui eleito democraticamente", comentou.

Ele disse ainda que desde abril tenta visitar as unidades de saúde do estado para "verificar as condições, demandas e ações viabilizadas pelo Governo do Estado", mas não obteve retorno.

 


Invasões a hospitais


As invasões a unidades que atendem pacientes com covid-19 começaram após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sugerir, em uma live na quinta-feira (11/6), que seus apoiadores entrassem em hospitais e filmassem os leitos para saber se estão vazios, ou não. Segundo o presidente, todas as imagens que são enviadas como "denúncias" para as suas redes sociais são analisadas e enviadas à Polícia Federal ou à Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Um dia depois da declaração, na sexta-feira (12/6), um grupo de pelo menos seis pessoas entrou no Hospital municipal Ronaldo Gazolla, unidade de referência no tratamento da covid-19 no Rio de Janeiro, e invadiu alas restritas a médicos e pacientes. Uma mulher teria chutado portas, derrubado computadores e até tentado invadir leitos de pacientes internados.

No Distrito Federal, um homem bateu boca com uma profissional da saúde na porta do Hospital Regional de Ceilândia (HRC). O vídeo que mostra o momento da discussão  circulou nas redes sociais e é possível ver o homem criticando a mudança no fluxo do pronto-socorro para acolher pacientes infectados com o novo coronavírus.

No Espírito Santo, cinco deputados estaduais - Lorenzo Pazolini (Republicanos), Vandinho Leite (PSDB), Torino Marques (PSL), Danilo Bahiense (PSL) e Carlos Von (Avante) - também invadiram o Hospital Dório Silva na última sexta-feira (12/6), localizado no município de Serra.

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo disse que a atitude é inadmissível. "Mais grave é o fato de que essa atitude foi insuflada por uma declaração irresponsável do chefe da nação”.

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