Jornal Estado de Minas

PESQUISA

COVID-19: 84% dos médicos entendem que o pior está por vir, diz pesquisa

O pior da pandemia do novo coronavírus ainda está por vir, apontaram 84,5% dos médicos brasileiros ouvidos em pesquisa realizada pela Associação Paulista de Medicina (APM).


Foram entrevistados 2.808 profissionais das redes pública e privada de 24 unidades federativas do Brasil entre os dias 15 e 25 de maio. Do total de participantes, 93% trabalham no estado de São Paulo. As respostas foram enviadas por meio da plataforma online Survey Monkey.

A maioria dos médicos (96,6%) considera provável que faltem profissionais de saúde para cuidar de pacientes com coronavírus. Entre os que estão na linha de frente, 46% relataram que já há escassez de profissionais onde atuam.

Para a maioria, o melhor caminho é manter as normas de isolamento social, mesmo com as perdas financeiras. Do total de entrevistados, 75,3% entendem que a medida é "boa" ou "importante", enquanto 85,2% relatou queda de receitas em decorrência da pandemia.


Segundo a percepção de 63% dos entrevistados, há subnotificação explícita de casos e óbitos por COVID-19 em relação aos números divulgados diariamente pelo poder público. Esse problema pode ter a ver com a baixa testagem. De acordo com 39,4% dos médicos da linha de frente, só há testes para os pacientes com sintomas graves, enquanto 9,1% relatam não existir exames disponíveis onde trabalham.

A pesquisa sinaliza também falta de segurança para que está no combate à pandemia: 58,5% (considerada também a equipe multidisplinar) dizem ter presenciado ou sabido de casos de violência relacionada à pandemia e 64% dos médicos ainda não tinham sido testados para COVID-19.

A situação causa efeitos psicológicos majoritariamente negativos nos médicos. Segundo a pesquisa, 79,3% se sentem apreensivos, pessimistas, deprimidos, insatisfeitos ou revoltados. Apenas 20,7% estão otimistas (5,3%) ou tranquilos (15,4%).


Capacitação


Segundo a pesquisa, apenas 22,3% dos médicos que atuam no combate à pandemia se consideram plenamente capacitados para atender enfermos em qualquer fase da doença.

A busca por novidades científicas sobre a COVID-19 tem diferentes fontes entre os médicos da linha de frente: 38,5% recebem informações atualizadas dos hospitais, 38% têm acesso via associações médicas e 61,5% pesquisam diretamente na literatura. Ministério da Saúde (31,5%) e as secretarias estaduais (17,5%) e municipais (18,5%) são menos consultados.

Ministério da Saúde


A percepção dos médicos sobre o Ministério da Saúde despencou após a saída de Luiz Henrique Mandetta. Em pesquisa anterior da APM, o então chefe da pasta tinha grande aprovação e apenas 5% de reprovação (ruim/péssimo).

Atualmente, o Ministério da Saúde, comandado interinamente pelo general Eduardo Pazuello, teve atuação classificada como "ruim" ou "péssima" por 43,1% dos entrevistados, o que corresponde a um aumento superior a 800% nas críticas em relação à pesquisa anterior.