
Desde a semana da primeira notificação de covid-19 no Brasil, no dia 25 de fevereiro, mais de 12 mil pessoas foram intenadas no Brasil com SRAG, uma síndrome gripal grave que tem sintomas como febre, tosse e dificuldade de respirar. Para esse período, a alta é de 134%.
Brasil registra 136 mortes pelo novo coronavírus
Brasil registra mais de 150 mortes pelo novo coronavírus Foto: Ricardo Moraes/Reuters
Na quinta-feira, o Estado publicou uma análise do sistema InfoGripe, da Fiocruz, que já estimava a internação de cerca de 2.250 pessoas nessas condições na semana retrasada. Mas a realidade se mostrou ainda mais dramática.
A SRAG é uma definição que vale para sintomas severos causados por vários tipos de infecções por vírus respiratórios, como os da influenza, além do novo coronavírus (Sars-Cov-2). Como os testes ainda estão ocorrendo com lentidão no País, apenas uma pequena parcela já foi confirmada como covid-19. Só em São Paulo, por exemplo, o governador João Doria afirmou nesta segunda, 30, que há 12 mil amostras aguardando análise no Instituto Adolfo Lutz.
A demora está sendo de cerca de duas semanas até os resultados saírem. Ao Estado, a sanitarista Ana Freitas Ribeiro, do Instituto Emílio Ribas, comentou que agora estão saindo resultados de amostras que foram enviadas quando o protocolo era testar somente sindrome gripal em viajantes ou em quem tinha tido contato com alguém confirmado. Essa estratégia mudou há mais de dez dias, no dia 19, para incluir todos os casos de SRAG. "Houve pedido para priorizar esses casos internados e os de óbito suspeito agora", disse.
Mas acredita-se que a maioria dessas internaçãoes seja por causa do novo coronavírus, visto que a taxa está muito acima da média para o período. “A mudança recente na velocidade de crescimento sugere algo novo. Como coincide com o crescimento dos casos confirmados de covid-19 e a confirmação da transmissão comunitária, é grande a chance de que boa parte desses casos seja em função do novo vírus, que se somou a essa tendência de alta”, havia afirmado na sexta o pesquisador Marcelo Gomes, coordenador do InfoGripe.
Com o objetivo de ajudar o governo no trabalho de vigilância epidemiológica, esse sistema trabalha desde 2014 com estimativas com base nos dados digitados no sistema público e notificações, levando em conta que há um tempo entre identificação do caso e essa informação entrar no banco de dados, ou seja: entre ocorrência do evento e ele estar disponível no banco de dados, explicou Gomes nesta segunda.
Em geral, as estimativas se confirmam como corretas assim que o banco de dados é atualizado, mas a emergência atual está se mostrando “aberrante”, nas palavras de Gomes. “Pode ser que com uma semana de atraso foi digitado um percentual do total de casos muito acima do se esperava. É uma questão de proporções. A gente leva em conta quantos foram digitados na própria semana e, com base no padrão histórico de atraso de digitação, faz a projeção de quantos ainda vão ser digitados nas próximas semanas. Mas agora foram digitados muito mais casos com uma semana de atraso, em relação ao que entrou no sistema na própria semana”, explica.
O InfoGripe deve publicar uma estimativa sobre a semana passada entre esta terça e quarta-feira desta semana, já incorporando tudo o que foi digitado até aquela data, fazendo a projeção conforme esse novo quadro.
