A entrevista foi dada durante o programa "Encontro com Fátima Bernardes" e Vanessa se emocionou falando sobre os últimos momentos da vida da menina, que tinha apenas 8 anos. Vanessa contou que levava a filha no colo dentro do veículo, mas minutos antes do tiroteio os passageiros desceram da Kombi e a garota sentou no banco ao lado.
“Ela estava no meu colo. As pessoas desceram da Kombi e só ficou um rapaz. Eu a coloquei do meu lado. E ouvi um barulho. Foi quando ela chamou o meu nome e gritou ‘mãe, mãe’. A gente ficou muito assustada.
Muito abalada, Vanessa contou que tinha muito medo da violência que acabou vitimando a filha. "O que eu mais temia, o que a gente mais se escondia para não acontecer, aconteceu.
A mãe também disse que Ágatha já tinha ficado sem aulas e também sem poder ir ao balé e ao xadrez por conta da rotina de tiroteios na comunidade. "Uma vez ela disse 'ah, mãe, queria falar para eles pararem com isso, hoje eu nem fui pra escola, nem fui pra aula de xadrez'".
Ao contar como foi no momento dos disparos, Vanessa emocionou toda a plateia. "Minha filha, minha pequena, minha perfeita, naquele dia juntas, como sempre, indo pra casa, ela no meu colo, pesada, ela era pesada. Subimos na kombi, chegando num certo local, muitas pessoas, quase todos desceram.
"A gente se abaixou para poder sair, porque ficamos muito assustados. Eu já não conseguia puxá-la, porque ela já não conseguia se movimentar. Eu disse "calma, filha, mamãe tá aqui." Aí eu percebi que ela levou um tiro", completou.
Vanessa ainda lembrou que deitou a filha no seu colo e o motorista correu avisando que tinha uma criança baleada. "Ela não estava entendendo e minha filha já não estava mais falando. Chegando na UPA, um policial falou 'aqui não, aqui não, Getúlio Vargas'. Ele botou minha filha na viatura e saiu correndo.
Além disso, Vanessa voltou a afirmar que não existia nenhum confronto acontecendo no momento que a filha foi atingida. "Do nada e sem acontecer nada. Eu só ouvi um 'bum'", disse. Adegilson corroborou a versão de que não havia tiroteio na hora em que a criança foi baleada. "Nesse dia, não tinha nada. Não estava acontecendo nada. Eu trabalho perto. Não tinha nada", disse.
"Ela vivia sorrindo, ela sempre queria ajudar as pessoas.
*A estagiária está sob supervisão da subeditora Ellen Cristie. .