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Estado de Minas GERAL

Passarelas estreantes na folia trazem clima de balada


postado em 24/02/2019 08:41

"Acabei de ouvir que vai ter bloco na Berrini. Quem quer fazer carnaval de crachá?", brincou um rapaz nas redes sociais. "Vai ter fila pra jogar confete, trânsito de trio elétrico", completou, se referindo ao grande número de escritórios na região.

A estreia da Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini no carnaval de rua paulistano mudou a paisagem típica da via da zona sul. Com seus prédios corporativos de vidro e ruas geralmente repletas de carros, o local ficou tomado de foliões no 1.º dia da programação oficial da cidade.

Na via dos escritórios, eram poucas as fantasias - o figurino ficou limitado a poucos acessórios brilhosos e placas com 'cantadas'. Embalado por axé baiano e funk carioca (com os blocos da banda Eva e o da Favorita), o clima era de balada a céu aberto. Além da rua, bares do entorno estavam cheios.

Hotéis próximos, como o Hilton Morumbi, fizeram promoções para atrair participantes da festa atrás de conforto antes e após os blocos. O Estado viu movimento de foliões em hotéis de menor porte no Brooklin, que escaparam da disputa por aplicativos de transporte na região.

Sobre a infraestrutura - assim como em Pinheiros, na zona oeste -, as maiores queixas foram sobre o excesso de lixo nas ruas e a falta de banheiros químicos. A Prefeitura admitiu haver 300 sanitários móveis a menos do que havia previsto (mais informações nesta página).

"Pra ser sincera, viemos neste (Bloco da Favorita) porque tem mais gente bonita", contou a advogada Nathalia Rossi, de 27 anos. "Gosto muito do pré e do pós-carnaval", disse ela. Em 2018, a 23 de Maio, zona sul, foi a novidade do carnaval e recebeu público mais eclético - nesta edição ficou fora do circuito.

A Berrini deve receber mais quatro desfiles, incluindo "carnaval eletrônico" do DJ Dre Guazzelli no dia 4. Segundo ele, há potencial para acolher todos os ritmos. "Vamos ter releituras de Tim Maia, Jorge Ben, para trazer esse clima de carnaval também." Haverá espaço ainda para opções de menor porte, como o Chucrute Zaidan, que estima atrair até 5 mil foliões.

'Rave' de fevereiro

Um público jovem, de 15 a 25 anos, compareceu em peso ontem à tarde na Avenida Marquês de São Vicente, zona oeste, outra novidade no carnaval. Apesar de fechada da Avenida Dr. Abraão Ribeiro à Praça Luiz Carlos Mesquita, o público não ocupou todo o espaço. Nas vias de acesso, havia revista de bolsas, com restrição a vasilhames de vidro.

E nada de samba ou marchinhas. "Viemos porque é um trio de música eletrônica, que adoramos", disse a estudante de Economia Nicole Massola, de Osasco, que aprovou a versão "rave" da folia. "Espero ver mais trios assim no carnaval", completou ela, que foi com um colega.

Menos sorte teve a enfermeira Débora Oliveira, de Embu das Artes. "O que é isso? Quero carnaval de verdade, Claudia Leitte, axé. Vamos embora para a Faria Lima", reclamou ela, ontem à tarde. Débora também terá a chance de ver a cantora baiana: ela desfila em São Paulo no dia 9, já no pós-carnaval.

Só ontem foram mais de cem blocos pela cidade e os tradicionais eixos da festa também atraíram foliões. No Parque do Ibirapuera, zona sul, um público variado - de idosos a casais com filhos pequenos - foi curtir o frevo e ver de perto Elba Ramalho e Alceu Valença. "Não deixa nada a dever (para Recife e Olinda). Lógico que lá é diferente, mas São Paulo aprendeu a curtir", garantiu a contadora Mary Brombay, de 54 anos. "Só faltou a praia", completou a aposentada Joseleide Silva, de 53 anos.

Já em Pinheiros, blocos cariocas, como o Sargento Pimenta e o Bangalafumenga, fizeram a alegria do paulistano. "É a minha primeira vez e estou curtindo", disse Sandra Higa, de 50 anos. Ela foi vestida de Jenifer, música do verão e uma das principais fantasias deste carnaval.

Rio

Sob calor e sol forte, cerca de 140 mil foliões brincaram em 59 blocos pelas ruas cariocas ontem, segundo a prefeitura. O principal desfile, do tradicional Simpatia é Quase Amor, arrastou uma multidão pela orla de Ipanema, na zona sul. Já o bloco Céu da Terra trouxe mensagens de protesto e homenagens à vereadora assassinada Marielle Franco.

Estação fechada e falta de banheiro

No pré-carnaval em São Paulo, as reclamações mais frequentes de foliões se referiam à falta de banheiros, a problemas com lixeiras e limpeza e à ausência de informações sobre o funcionamento do metrô, que teve duas estações fechadas ontem à tarde. A Prefeitura reconheceu haver 300 banheiros a menos do que o previsto.

Fernanda Geiger, de 28 anos, foi ao bloco da Banda Eva, na Avenida Luís Carlos Berrini, para comemorar o aniversário de uma amiga. Este é o 3.º carnaval dela em São Paulo - antes, costumava viajar para o litoral paulista ou aproveitar blocos do Rio. "A maior diferença é que lá tem mais espaço, aqui fica muito confinado. Deveria ser em avenidas mais largas." Ela também reclamou da quantidade de banheiros químicos. Como estava cheio, ficava difícil se deslocar por quadras e ela preferiu enfrentar uma fila de mais de 30 pessoas em uma cafeteria. O Estado viu muitos foliões urinando nos canteiros da via.

"A quantidade (de banheiros) é desproporcional ao número de gente aqui", relatou Ana Paula Martins, de 15 anos, que seguiu blocos no Largo da Batata, zona oeste. A estudante conta que deixou de ir ao banheiro "muitas vezes" por causa da constante fila que se formou durante o dia. No início da noite, o Estado encontrou só dez cabines na imediações do largo. Lanchonetes e restaurantes do entorno aproveitaram para cobrar entre R$2 e R$5 a quem quisesse utilizar o banheiro.

A falha foi reconhecido pela Prefeitura, que disse ter havido problema com a empresa responsável por fornecer a estruturas. Segundo a gestão Bruno Covas (PSDB), estão previstas para oito dias da programação oficial, 12,8 mil diárias de banheiros. Para ontem, eram previstas 1,4 mil estruturas, mas não foram entregues cerca de 300. O Município informou que, por isso, a empresa deverá fazer compensação hoje, fornecendo 300 banheiros a mais.

A chuva no início da noite de ontem não só refrescou os foliões do calor de 32º C que se manteve durante o dia. Pontos de lixo ficaram mais evidentes, espalhando latinhas, garrafas de vidro e de plástico pelas ruas. No Largo da Batata, poças acumularam centenas de resíduos. A Prefeitura disse que montou operação com 1.840 agentes de limpeza e frota de 214 veículos.

Metrô

Quem tentou chegar ou retornar de metrô da festa nas imediações de Pinheiros, na zona oeste, enfrentou grandes dificuldades, filas e tumulto. Segundo a ViaQuatro, que administra a linha 4-Amarela, houve fechamento temporário das estações Faria Lima e Fradique Coutinho ontem à tarde, visando a "preservar a segurança dos passageiros". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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