Nos últimos anos, o Brasil enfrentou o aparecimento de doenças, como as causadas pelos vírus da zika e do chikungunya, e o reaparecimento de outras que já estavam erradicadas, caso do sarampo. Mesmo com sucessivas campanhas, a cobertura vacinal no País não é considerada ideal. Para melhorar os índices entre adultos e crianças, o pesquisador Pedro Vasconcelos, diretor do Instituto Evandro Chagas, órgão ligado à Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, aposta em reforçar a estratégia de imunização dos viajantes. A seguir, os principais trechos da entrevista:
Desde 2015, o Brasil tem convivido com epidemias e o reaparecimento de doenças. Por quê?
A febre amarela é uma doença que sempre teve casos, mas houve uma expansão muito forte em Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo por causa de dois fatos: Minas tinha uma taxa de cobertura vacinal baixa e outros Estados eram áreas consideradas sem recomendação para vacinação. Já o sarampo é algo que estava com um controle bastante intenso até que a situação da Venezuela fez com que as pessoas migrassem e tivesse a incidência de casos. Em relação a outros vírus que ocorreram, como zika e chikungunya, (a ocorrência) se deu pela questão do fluxo aéreo internacional.
Com o grande número de pessoas viajando, é possível notar que doenças que estão em surto no exterior logo chegam ao País. O que pode ser feito?
Em qualquer parte do mundo, isso é possível.
O País convive com o desafio de aumentar a cobertura vacinal entre os adultos. O foco na saúde do viajante ajudaria?
Sim, mas vacinar adulto, principalmente do sexo masculino, é complicado. É preciso fortalecer uma política para orientar as pessoas que busquem esse apoio para, quando for viajar, ter exames e vacinas importantes para a viagem, determinados pela região que elas vão visitar.