A garota de 17 anos que testemunhou a morte de quatro adolescentes, no sábado, 6, em um suposto confronto com policiais militares no Jaguaré, na zona oeste de São Paulo, foi encaminhada ao Programa Estadual de Proteção a Vítimas e Testemunhas (Provita), da Secretaria Estadual da Justiça.
O caso está sendo investigado pela Corregedoria da PM e pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), além de ser acompanhado pela Ouvidoria das Polícias de São Paulo, por causa da suspeita de que os rapazes foram mortos após se render.
A secretaria agendou uma entrevista com ela e parentes para o acolhimento no programa, que providencia a transferência dos atendidos para um local protegido, a preservação de sua identidade e apoio financeiro, psicológico, médico e jurídico. A jovem foi encaminhada após relatar, em depoimento no DHPP, que os rapazes, com idade entre 15 e 17 anos, haviam se rendido, se ajoelhado, colocado as mãos na cabeça e gritado para os policiais "Perdemos!", antes de serem mortos.
A jovem contou que sobreviveu porque o corpo de um dos amigos caiu sobre o dela. E ela se fingiu de morta até a chegada de mais testemunhas.
Ela disse ter sido ameaçada pelos PMs, que queriam que gravasse um vídeo contando que houve confronto. Segundo o advogado Ariel de Castro Alves, do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), a chegada de mais testemunhas ao local, uma viela próxima da Avenida Presidente Altino, impediu que os PMs a matassem - na delegacia, a jovem disse que a mãe também ouviu dos PMs que ela seria morta, caso negasse a versão de que houve tiroteio.
O caso vem sendo investigado desde sábado. Os cinco adolescentes estavam em um Ford Focus roubado, que foi abordado por policiais da Força Tática.
Laudo
O ouvidor Benedito Mariano afirmou ter solicitado laudos ao Instituto de Criminalística sobre o tiroteio. Ele planeja concluir até quarta-feira um relatório sobre o caso. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo..