Brasília, 16 - O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (MDB), sinalizou que a intervenção federal na segurança pública do Estado marca o fim de sua carreira política e a trajetória de seu grupo. Em entrevista no Palácio do Planalto, ele disse que cumprirá formalmente até dezembro seu mandato. "Estou saindo. Eu já saí. Não disputo mais nada. Vou terminar meu mandato de cabeça erguida", afirmou, numa resposta a uma pergunta sobre a consequência para ele e seu grupo da decisão do governo federal de assumir o comando das forças estaduais.
Além de falar abertamente sobre seu revés na política, Pezão refutou a tese de que a corrupção, que levou boa parte de seu grupo para a cadeia, em especial o padrinho e ex-governador Sérgio Cabral, tenha impactado no aumento da crise da segurança pública. "Tivemos uma queda de receita de 26%, o que não é trivial", disse. "Não sou culpado de chegar em abril com o barril de petróleo a 115 dólares, governar um ano e dois meses a 28 e mais um ano a 32 dólares", completou.
Diante da insistência sobre o peso da corrupção no atual cenário de caos na segurança pública, Pezão disse que tem a "consciência tranquila". "(A corrupção) Está sendo apurada e investigada como nunca. Se tem um lugar que está apurando é no Estado do Rio de Janeiro", afirmou.
Resistência
Sem esconder o abatimento, o governador disse que não fez "resistência" à decisão do governo de intervir na segurança pública estadual. Ele relatou que, a princípio, solicitou que a GLO (Garantia da Lei e da Ordem) que hoje vigora no Rio de Janeiro fosse ampliada.
Por fim, Pezão tentou minimizar a necessidade de uma intervenção federal em seu Estado. "Não nos diminui em nada. Não me sinto desconfortável.
(Fábio Serapião e Leonencio Nossa).