São Paulo, 27 - O Museu de Geociências da USP inaugurou no fim de dezembro a mostra Fósseis do Araripe, com base nas quase 3 mil peças apreendidas pela Operação Munique, da Polícia Federal, em outubro de 2013. O material era valiosíssimo do ponto de vista científico. De todas as peças, escolhemos as 50 mais interessantes e raras para montar a exposição, conta Juliana Leme, pesquisadora da USP.
A peça mais importante da mostra é o esqueleto completo de um pterossauro - um réptil alado pré-histórico - da espécie Tapejara navigans, o único exemplar inteiro no mundo. Hoje, são conhecidas cerca de 50 espécies de pterossauros no mundo e 23 delas foram identificadas na Bacia do Araripe. O Tapejara navigans já era conhecido, mas não havia nenhum esqueleto completo. O valor científico desse fóssil é inestimável.
A exposição traz ainda fósseis de peixes, insetos, plantas, crocodilos e camarões - todos com cerca de 110 milhões de anos. A ideia é que as pessoas conheçam e entendam essa riqueza, e percebam que não se pode comercializar esse tipo de material. E, além disso, queremos estimular o interesse pela paleontologia na sociedade em geral, e entre as crianças em particular, diz.
Os pequenos visitantes são acolhidos pelo geólogo que atua no setor educativo Museu de Geociências, Ideval Souza Costa.
Aprovação. É muito bonita toda a exposição, mas o que eu mais gostei foi o fóssil do pterossauro. Os cientistas fazem um trabalho muito duro, mas que vale a pena, disse Lucas Lujan, de 8 anos, que visitou a exposição com seu irmão Matteo, de 10 anos, e a avó, Carmen Rossi. Lucas também adorou tocar os fósseis - uma das atividades coordenadas por Costa é realizada em uma pequena bancada onde há peixes fossilizados menos raros, que podem ser manipulados pelas crianças.
Quando crescer, quero ser arqueólogo, disse Roberto Cruz, o Beto, de 5 anos, que visitou o Museu de Geociências da USP pela segunda vez.
O Estado de S. Paulo.
(Fábio de Castro).