São Paulo, 09 - A Prefeitura de São Paulo decidiu flexibilizar uma parte das normas para transporte de passageiros por aplicativo, que entram em vigor nesta quarta-feira, 10. Após reclamação de associações dos motoristas, o governo municipal decidiu permitir que donos de veículos de até sete anos de fabricação possam ser usados - até então, a data máxima era de cinco anos.
Os carros mais antigos só serão aceitos para motoristas que entraram no sistema até julho de 2017. Para o restante, valerá a regra dos cinco anos. A nova regra, publicada nesta terça-feira, 9, no Diário Oficial do Muicípio, também prevê obrigatoriedade de placa da capital e adesivo colado no veículo com a identificação das empresas atendidas. As próximas duas semanas serão de orientações por parte da Prefeitura de São Paulo.
Para Marlon Luz, vice-presidente da Associação dos Motoristas de Aplicativos do Estado de São Paulo (AMASP), o ideal seria aumentar a permissão de fabricação do veículo para 10 anos. "O que garante a segurança são as vistorias anuais", argumenta ele, que esteve na reunião ontem. Ainda de acordo com o condutor, os adesivos vão resultar em efeito contrário, promovendo insegurança. "A Prefeitura quer que nós usemos adesivo dos aplicativos nos carros, mas para nós isso é um risco porque chama atenção para assaltos", queixa-se.
Outra reivindicação dos motoristas é em relação à exigência de placa de São Paulo.
"Queremos a regulamentação, mas acho que vai ser um teste para todo mundo. Vamos ajustar para evitar que as pessoas percam sua fonte de renda e a população não perca um transporte de qualidade", disse Gabryella Correia, fundadora do Lady Driver. "Como é algo novo, vamos tentar fazer o possível para conseguir esse Conduapp. Mas temos que ver o retorno da Prefeitura, se estão preparados para emitir essa documentação no tempo em que eles disseram", afirma.
Grecco disse que a gestão municipal está preparada para receber toda a documentação.
A previsão do secretário é de que a fiscalização comece a ser feita em 29 de janeiro. Até lá, os motoristas devem providenciar a obtenção do cadastro municipal de condutores (Conduapp). A documentação será emitida após a realização, pelos condutores, de um curso de treinamento com duração de 16 horas que pode ser feito à distância.
Além do curso e do cadastro, que o motorista deverá procurar junto às empresas, a normatização exige carteira nacional de habitação (CNH) com autorização para exercer atividade remunerada, certidão estadual de distribuição criminal, declaração de prestação de serviços no setor e seguro que cubra acidentes de passageiros.
Já os veículos deverão ter fabricação máxima de 5 anos, emplacamento na cidade, inspeção veicular anual, identificação visível e legível e certificado de segurança do veículo de aplicativo (CSVAPP).
Segundo a Prefeitura, a partir de 28 de fevereiro, caso circule sem o certificado, o condutor pode ter o veículo apreendido. Já as operadoras que não atenderem às normas também estão sujeitas a sanções como multa mínima de R$ 2,5 mil, suspensão e até descredenciamento permanentemente do serviço. As regras foram definidas em resolução publicada em julho do ano passado, que previa 180 dias para adequação das operadoras.
Questionada sobre a adesão dos motoristas, a Uber informou que tanto a empresa quanto os motoristas "estavam esperando a Prefeitura publicar as regras da burocracia necessária para o cadastro, que ainda não estavam definidas". São mais de 150 mil condutores parceiros da Uber no Estado de São Paulo.
"Para atender algumas regulamentações, a Uber vai oferecer um curso 100% digital e remoto para seus motoristas parceiros.
A 99 se manifestou por nota afirmando que a resolução "é burocrática e vai contra os princípios de eficiência, eficácia e efetividade dos serviços de transporte urbano". Reconhecemos e compartilhamos da preocupação dos condutores sobre as restrições impostas pela Resolução 16 especialmente quanto ao ano do carro e cidade de emplacamento do veículo, pois prejudicam dezenas de milhares de motoristas que deixarão de ter acesso a trabalho e renda, afirmou a 99. A empresa disse que disponibiliza um guia online com um passo a passo para a adequação do motorista.
Segundo a operadora, 18% dos motoristas circulam em veículos com placas de fora de São Paulo. Já no Lady Driver, a estimativa é de pelo menos 25%. Quanto a isso, Gabryelle ainda acredita que a Prefeitura pode voltar atrás: "Ainda há tempo para a Prefeitura rever. Achamos que isso vai dificultar muito a vida tanto dos motoristas quanto dos passageiros que moram em cidades da região metropolitana".
(Juliana Diógenes e Luiz Fernando Toledo).