Após quase um ano à espera de decisões judiciais, a Prefeitura de São Paulo decidiu marcar para a próxima quinta-feira, dia 7, a abertura dos envelopes com as propostas da Parceria Público-Privada (PPP) que irá modernizar o parque de iluminação pública da cidade, prevendo a troca de todas as luminárias da cidade por lâmpadas de LED. Mas, diante da expectativa de novos entraves jurídicos, segundo a reportagem apurou, a Secretaria Municipal de Serviços e Obras já iniciou estudos para contratar, de forma convencional (sem PPP) uma empresa para fazer a manutenção do parque da cidade -- que já está funcionando por meio de um contrato emergencial (sem licitação) de R$ 95 milhões, e que impede novos investimentos no setor.
O entrave, que vinha sendo debatido na Justiça, se refere à possibilidade ou não de o consórcio Walks, um dos dois interessados na disputa, poder assinar o contrato da PPP, que prevê a concessão do serviço por 20 anos, a um preço estimado em R$ 7 bilhões.
O Walks, que tem entre as empresas participantes o grupo Wtorre e a empresa 4 Participações, cujos sócios são os mesmos sócios da empresa Alumni, considerada inidônea pelo Superior Tribunal de Justiça -- e, assim, impedida de contratar com o poder público. A discussão é se o impedimento valeria para todo o consórcio.
Há expectativa no mercado que as propostas comercias do Walks, que serão conhecidas após a abertura dos envelopes, tragam preços mais baixos do que o consórcio adversário, liderado pela empresa FM Rodrigues, atual prestadora do serviço na cidade. Desse modo, a cúpula da secretaria de Serviços e Obras teme se ver obrigada a contratar com o consórcio e, depois, ser questionada sobre a legalidade dos contratos, segundo técnicos da área ouvidos pela reportagem.
A Prefeitura havia enviado pedido à presidência do Tribunal de Justiça para se manifestar sobre a elegibilidade do consórcio Walks ou não, mas o TJ devolveu o processo para a Vara de origem -- que já havia determinado a abertura dos envelopes.
O Walks foi procurado, mas preferiu não se manifestar. O consórcio tem pareceres jurídicos apontando que as questões relacionadas a um de seus integrantes não interferiria no processo, entendimento diferente de seu adversário.
A gestão João Doria (PSDB), por sua vez, já estudas saídas para caso o Walks tenha a proposta mais vantajosa, mas não seja habilitada e a licitação volte para os tribunais. A opção é a realização de uma licitação comum para realizar a manutenção da iluminação da cidade após o término do contrato de emergência, que teve seu extrato publicado no Diário Oficial da Cidade no último sábado, 2. Dessa forma, os investimentos para reparar a rede e eventualmente ampliar o número de pontos de LED seriam custeados com recursos municipais, sem a antecipação de investimentos prevista na PPP. O contrato atual tem prazo de 180 dias, mas seria suspenso caso a PPP terminasse.
PPP
A PPP da iluminação Pública teve a primeira minuta divulgada no fim de 2014, na gestão Fernando Haddad (PT), e tinha a previsão para ocorrer em junho de 2015, mas foi suspenso pelo Tribunal de Contas do Município (TCM) e pelo Tribunal de Justiça até ser liberado em dezembro de 2016.
(Bruno Ribeiro).