Humanizar a formação dos médicos demanda expandir o olhar para o novo lugar do paciente. É o que defende a professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) Izabel Rios. "Ele não está aí para obedecer o que um médico diz que ele tem de fazer. Esse protagonismo do paciente tensiona a escola médica."
Para ela, os desafios vão desde a formação de professores até a prática nos hospitais, com integração entre alunos de diferentes áreas e até entre funcionários que não estão ligados diretamente à saúde. "A humanização tem de começar da porta, no momento em que se chega ao hospital", diz a professora, que coordena o Núcleo Técnico e Científico de Humanização do Hospital das Clínicas da USP e o Grupo de Trabalho de Humanização da FMUSP.
Veja trechos da entrevista de Izabel à reportagem.
Quais os principais desafios para a humanização da formação dos médicos?
A gente já sabe que precisa trabalhar com os conceitos, as atitudes e valores da humanização. A questão é como. A escola médica vem de uma tradição muito tecnicista. Está ancorada nessa tradição de uma ciência que tirou do seu foco os aspectos humanísticos que a sociedade quer que o médico esteja atento.
Quais os caminhos para uma formação mais humana?
Primeiro, é preciso professores capacitados, conscientes e dispostos a trabalhar isso. O desafio é envolver todas as pessoas no conceito novo de cuidado humanizado. É algo que a faculdade (de Medicina da Universidade de São Paulo) está tentando fazer com o currículo novo (leia mais nessa página).
De que modo a integração entre profissionais poderia ser estimulada na graduação?
É muito mais uma questão de atitude nas escolas. Hoje não dá mais para pensar no cuidado à saúde sem a interdisciplinaridade. Temos de ter a conjunção de saberes porque as situações de saúde e doenças são muito complexas. No ensino superior, ninguém fala com ninguém.
Estudantes e professores reconhecem a importância da formação humanizada?
O assunto divide opiniões. Temos desde professores que entendem que essas competências para o cuidado humanizado são aspectos que devem ser desenvolvidos, e estão dispostos, como professores que vão dizer que isso é de berço e que não precisa desenvolver. Toda a literatura hoje é contrária a esse segundo posicionamento. Vários estudos mostram que comunicação e empatia se desenvolve e acolhimento é uma atitude que se constrói e que precisa, sim, desse desenvolvimento.
Formações de pós preenchem certas lacunas da graduação que ainda não foram alcançadas?
Em cursos de especialização (lato sensu), as experiências são positivas.
As informações são do jornal
O Estado de S. Paulo.
(Júlia Marques).