São Paulo, 10 - Bernardo só tem 5 anos, mas já virou especialista: sai do carro como ninguém. A família, que mora na zona oeste do Rio, ensinou o menino a deixar o veículo sozinho e com agilidade - tudo para evitar que ele seja levado em caso de assalto.
Para o garoto, funciona como um jogo, mas o medo da família é real. Aqui ele já sabe: tem de sair rápido. Fazemos como uma competição. Em todos os lugares, ele tem de sair sozinho (do carro). A intenção era trabalhar a independência, mas se tornou uma necessidade, conta a irmã, a professora Lorena Magioli, de 26 anos.
Para que Bernardo consiga desafivelar o cinto de segurança mais rapidamente, a cadeirinha foi substituída pelo assento de elevação - que já é permitido para a idade de Bernardo. Ele consegue apertar o botão do cinto de segurança, abrir a porta do carro e pular. Antes tinha de tirar o cinto da cadeirinha, que é mais duro e mais difícil de sair porque prende os braços da criança, explica.
A família acredita ainda que a estratégia do menino possa ser aplicada em todas as situações.
Na escola onde Lorena trabalha, ela já viu pais de crianças de 2 a 4 anos cometerem infrações pelo mesmo temor. Tenho alunos que só andam no banco da frente com os pais. Ao conversar com eles, indagar sobre as blitze, eles falam que não levaram multa por causa disso.
Respostas. Procurado, o Detran fluminense disse que a aplicação desse tipo de multa na cidade é de responsabilidade da Prefeitura. Já a Guarda Municipal do Rio afirmou que segue coibindo a irregularidade, quando há flagrante feito por seus agentes.
Questionada sobre a alta de roubos de veículos no Estado do Rio - 42% de janeiro a julho, em comparação com o mesmo período de 2016 -, a Polícia Militar reconhece que os índices criminais são impactantes. Segundo a corporação, porém, os dados refletem um cenário de crise que não depende só da PM para ser revertido. As informações são do jornal
O Estado de S. Paulo.
(Júlia Marques).