São Paulo, 26 - As tragédias nos tocam mais profundamente quando, de alguma maneira, nos são próximas. O naufrágio da lancha Cavalo Marinho 1 durante a travessia Mar Grande-Salvador, na quinta-feira, por exemplo, me deixou meio fora do ar. Mar Grande é o grande paraíso da minha infância e adolescência. Ali está grande parte de minhas melhores lembranças.
Faço essa travessia desde quando estava na barriga de minha mãe. Meu filho, hoje com 21 anos, também. Por diversas vezes a agradabilíssima viagem de cerca de 45 minutos cruzando a Baía de Todos os Santos foi feita naquela mesma lancha, cujos marinheiros eu chamava pelo nome.
Por isso a imagem do bebê de 6 meses nos braços do bombeiro que fez o resgate me é tão forte. Ele foi uma das 18 vítimas confirmadas até agora. Poderia (pode?) ser filho de um conhecido meu.
Desde pequeno ouço e vivencio histórias de travessias difíceis por causa do mar revolto feitas por lanchas superlotadas e malconservadas. Lembro de senhorinhas rezando nas viagens em que o mar entrava por um lado da embarcação e saía pelo outro, de tanto que balançava. Ainda não sei se a negligência foi a causa do acidente. Espero sinceramente que não.
As informações são do jornal
O Estado de S. Paulo.
(Valmar Hupsel).