A entrada de refugiados venezuelanos no Brasil pela fronteira em Roraima e a precária situação profissional encontrada por eles na capital do Estado, Boa Vista, levou a prefeitura da cidade a criar um programa público de educação que pode auxiliar na crise social e migratória, e, também, beneficiar as crianças da rede escolar municipal. Na próxima semana, a prefeita Teresa Surita (PMDB) deve apresentar à Câmara de Vereadores um projeto para adoção da língua espanhola nos currículos, atendendo aos alunos do ensino fundamental da 1.ª à 5.ª séries.
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Segundo a procuradora-geral do Município, a equipe trabalha para finalizar os detalhes do projeto com a expectativa de que a autorização legal, em regime de urgência, esteja pronta em setembro.
“Queremos que as contratações comecem o quanto antes”, disse a procuradora. A proposta prevê também a contratação de professores-assistentes.
De acordo com Marcela Medeiros, a prefeitura tem cerca de 39 mil alunos matriculados. Ela ainda não calcula o total de crianças beneficiadas com o ensino da nova língua nas escolas. “Ainda não sabemos exatamente. Estamos trabalhando nisso”, argumenta. “Mas acredito que temos uma oportunidade não só para trabalhar a integração dos venezuelanos, mas também de oferecer alternativa educacional para nossas crianças”, disse a procuradora.
A Justiça de Roraima determinou recentemente que seja suspensa a cobrança da taxa antes exigida para que os venezuelanos registrassem pedidos de refúgio no Brasil. O valor, de cerca de R$ 300, era proibitivo para a maioria dos que chegam.
(Pablo Pereira).