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Estado de Minas

Bispos brasileiros participam de mensagem aos trabalhadores em Aparecida

Reunidos no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, na 55ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), os religiosos colocaram em pauta o momento político e econômico e a greve geral no país nesta sexta-feira


postado em 28/04/2017 14:23 / atualizado em 28/04/2017 14:53

Trabalho, fé e participação. Cerca de 300 bispos brasileiros, incluindo o arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, e os cinco bispos auxiliares da Arquidiocese de BH, divulgaram em Aparecida (SP) uma mensagem aos trabalhadores encorajando “a organização democrática e mobilizações pacíficas em defesa da dignidade e dos direitos de todos os trabalhadores e trabalhadoras, com especial atenção aos mais pobres”. Reunidos no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, na 55ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), os religiosos colocaram em pauta o momento político e econômico e a greve geral no país nesta sexta-feira: “Brota do nosso coração de pastores um grito de solidariedade em defesa de seus direitos, particularmente dos 13 milhões de desempregados”.

Diz a mensagem que “nessa lógica perversa do mercado, os poderes Executivo e Legislativo reduzem o dever do Estado de mediar a relação entre capital e trabalho e de garantir a proteção social. Exemplos disso são os projetos de Lei 4302/98 (Lei das Terceirizações) e 6787/16 (Reforma Trabalhista), bem como a Proposta de Emenda à Constituição 287/16 (Reforma da Previdência). É inaceitável que decisões de tamanha incidência na vida das pessoas e que retiram direitos já conquistados, sejam aprovadas no Congresso Nacional, sem um amplo diálogo com a sociedade”.

No documento, o clero explica que “ao longo da nossa história, as lutas dos trabalhadores e trabalhadoras pela conquista de direitos contribuíram para a construção de uma nação com ideais republicanos e democráticos. O dia do trabalhador e da trabalhadora é celebrado, neste ano, em meio a um ataque sistemático e ostensivo aos direitos conquistados, precarizando as condições de vida, enfraquecendo o Estado e absolutizando o mercado. Diante disso, dizemos não ao “conceito economicista da sociedade, que procura o lucro egoísta, fora dos parâmetros da justiça social” (Papa Francisco, Audiência Geral, 1º. de maio de 2013).

DIGNIDADE Tendo à frente o presidente da CNBB e arcebispo de Brasília (DF), dom Dom Sérgio da Rocha, o vice-presidente e arcebispo de Salvador (BA), dom Murilo Sebastião Ramos Krieger e o secretário-geral da instituição e bispo auxiliar de Brasília (DF), dom Dom Leonardo Ulrich Steiner, os bispos destacaram a importância do trabalho, que é “fundamental para a dignidade da pessoa, constitui uma dimensão da existência humana sobre a terra”. E mais: “Pelo trabalho, a pessoa participa da obra da criação, contribui para a construção de uma sociedade justa, tornando-se, assim, semelhante a Deus que trabalha sempre. O trabalhador não é mercadoria, por isso, não pode ser coisificado. Ele é sujeito e tem direito à justa remuneração, que não se mede apenas pelo custo da força de trabalho, mas também pelo direito à qualidade de vida digna.

Diante do Dia do Trabalho, que será celebrado na segunda-feira, os bispos afirmaram que “diante da precarização, flexibilização das leis do trabalho e demais perdas oriundas das 'reformas', nossa palavra é de esperança e de fé: nenhum trabalhador sem direitos! Juntamente com a Terra e o Teto, o Trabalho é um direito sagrado, pelo qual vale a pena lutar (Cf. Papa Francisco, Discurso aos Movimentos Populares, 9 de julho de 2015)”.

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