"Entre as ações judiciais ajuizadas contra o Ministério da Saúde, várias delas trazem em seu teor um documento do próprio gestor apoiando a demanda do profissional", afirma o comunicado. Documentos que, na avaliação da entidade, podem dificultar a defesa feita pela União.
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o presidente do Conasems, Mauro Guimarães Junqueira, confirmou a preocupação. "São cartas feitas de boa-fé. Mas podem prejudicar. É ruim para Cuba. É ruim para o Brasil", resumiu.
No comunicado, o Conasems também procura afastar qualquer tentativa de prefeitos para contratar de forma direta os profissionais recrutados por meio do convênio firmado com o governo cubano e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).
O alerta do Conasems tenta evitar ainda que gestores opinem sobre o sistema de pagamento dos profissionais cubanos, que é diferente do ofertado para brasileiros. "A remuneração do médico cubano observa as regras do seu país e daquilo que o governo de Cuba pactua com a Opas, sobre as quais não cabe ao governo brasileiro ingerir."
Guimarães Junqueira afirmou ter recebido nos últimos dias vários telefonemas de secretários de saúde receosos de que o programa acabe. "Tenho dito que não é assim. Há um crescente interesse de profissionais brasileiros", afirmou.
O governo de Cuba comunicou semana passada ao governo brasileiro que suspenderia o envio de 710 profissionais para participar do programa Mais Médicos. A decisão é reflexo do grande número de ações na Justiça interpostas por cubanos que querem garantir o direito de permanecer no Brasil, embora Cuba tenha determinado o retorno.
Até semana passada, conforme o jornal O Estado de S. Paulo informou, havia 88 liminares assegurando aos profissionais o direito de permanecer no Brasil. Muitos têm ainda o direito de permanecer trabalhando no Mais Médicos.
Diante da suspensão do envio de profissionais, o governo brasileiro decidiu, em um primeiro momento, preencher as vagas com médicos brasileiros formados no Brasil ou no exterior. A reportagem apurou, no entanto, que o próprio governo reconhece que tal arranjo não vai resolver o problema.
Médicos brasileiros resistem em ir para locais considerados mais distantes e em distritos sanitários indígenas, por exemplo. A rotatividade de profissionais brasileiros também é muito superior da que é registrada entre médicos recrutados no programa da Opas.
Nas próximas semanas, um encontro deverá ser realizado entre Brasil, Opas e representantes do governo de Cuba. Embora o Brasil e a Opas tenham interesse em manter o acordo, não há, neste momento, nenhuma grande oferta que o governo brasileiro possa fazer a Cuba para evitar que novas ações na Justiça sejam interpostas.
Está descartada, por enquanto, qualquer possibilidade de mudança no contrato com Cuba, renovado por mais três anos no ano passado..