O júri de Elize Matsunaga, acusada de matar e esquartejar o marido Marcos Kitano Matsunaga em maio de 2012, deve estender-se até o fim de semana. Estão previstos ainda outros seis depoimentos de testemunhas de defesa, os debates entre a promotoria e os advogados, o interrogatório da ré e a votação dos jurados. O julgamento entra nesta sexta-feira em seu quinto dia.
Ontem, com o rosto encoberto pelas mãos, Elize Matsunaga teve de ouvir a história da própria vida, desde a infância, passada a limpo no quarto dia do júri sobre e morte do empresário Marcos Kitano Matsunaga. Pela primeira vez, os seus advogados tiveram a oportunidade de chamar as testemunhas de defesa. A primeira delas, a técnica de enfermagem Roseli de Araújo, tia da ré, revelou que a sobrinha foi abusada sexualmente pelo padrasto na adolescência.
Os advogados querem construir a imagem de que Elize, com dificuldades na infância e de convívio familiar, teve uma história de superação. Isso para tentar afastar a tese da acusação de que ela tenha agido de forma premeditada contra seu marido - a vítima - e tenha empregado meios cruéis, o que aumentaria a pena. A ré está presa desde junho de 2012
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Julgamento de Elize chega ao 4º dia e deve se estender até domingo'Helena chama a avó de mãe', diz testemunha sobre filha de ElizeComeça, em São Paulo o terceiro dia de júri de Elize MatsunagaElize não vai responder às perguntas da acusação no julgamentoElize é condenada a quase 20 anos de prisão por matar e esquartejar maridoÀs 17h15 desta quinta-feira, 1º, Roseli de Araújo começou o seu depoimento, relembrando as dificuldades da família na cidade de Chopinzinho, no interior do Paraná. Segundo ela, a rotina era de dificuldades em uma casa de madeira que nem sequer tinha banheiro ou geladeira. O pai da ré teria abandonado a filha, a irmã e a mãe, dificultando ainda mais as condições de relacionamento na residência.
A chegada do novo namorado da mãe teria causado mais problemas.
A mulher que hoje responde por homicídio triplamente qualificado e destruição de cadáver era definida na infância como "discreta, estudiosa e gentil", segundo a familiar. A vida de Elize começou a mudar quando ela deixou o interior e foi para Curitiba fazer um curso de técnico de enfermagem com as despesas pagas pela tia. Teria sido na capital paranaense que Elize começou a se prostituir, segundo apontou a investigação, tendo se mudado para São Paulo em busca de mais oportunidades.
Roseli definiu Marcos Matsunaga como um homem atencioso. O empresário havia ido visitar a família de Elize, quando ainda namoravam.