São Paulo, 04 - Um funcionário da Santa Casa de Misericórdia fraturou o maxilar na manhã desta sexta-feira, 4, e será submetido a cirurgia após ser agredido com uma pedra jogada por membros do Movimento de Moradia e Inclusão Social (MMIS), grupo que invadiu um prédio da instituição. Reinaldo dos Santos Andrade, de 46 anos, é supervisor de serviços terceirizados e trabalha há 19 anos na Santa Casa. Ele será internado na próxima segunda-feira, 7, para uma cirurgia de reconstrução facial. Um boletim de ocorrência por lesão corporal foi registrado e o Movimento admitiu a agressão.
O sobrado de dois andares está localizado na Rua Jaguaribe, 92, na Consolação, região central da capital. O local serve de estoque das doações de voluntários da entidade. A instituição diz que a entrada do grupo ocorreu à meia-noite desta sexta, quando o alarme de segurança soou. Segundo uma representante do MMIS, porém, as primeiras pessoas já estavam no local desde a madrugada do dia 29 de outubro. Adila Patrícia de Oliveira Dahora, de 22 anos, balconista desempregada, diz que a presença do grupo só teria chamado a atenção nesta sexta, pois outros participantes chegaram com sofá, fogão e geladeira.
A agressão ocorreu por volta das 7 horas, horário de entrada de Andrade.
"Estava todo mundo desarmado. Até porque aqui ninguém trabalha armado. Mas o que eles tinham, eles jogaram. Essas não são pessoas de bem. São criminosos", diz Andrade, que nega ter revidado.
Adila, representante do MMIS, conta outra versão. Ela confirma que uma mulher, membro do grupo, jogou a pedra no funcionário, mas alega legítima defesa. De acordo com ela, o grupo dormia quando funcionários da Santa Casa tentaram entrar no edifício.
"Sim, (agredimos). Eles forçaram a porta, estavam chutando, tentando quebrar. Disseram que iam entrar de qualquer jeito. Foi quando um segurança puxou o braço dela para fora. Prensou a mão no vidro.
Segundo ela, o grupo existe há um mês e este foi o primeiro imóvel invadido pelos membros. Há 27 pessoas no local, entre elas seis crianças, um bebê de sete meses e duas idosas. Adila afirma que o Movimento não pretende entrar em outros prédios da Santa Casa. "Queremos um cantinho, nem que seja por uns meses. Vimos que esse prédio estava abandonado e entramos. Na semana que vem, vamos cadastrar os moradores em programas de habitação", afirma.
O prédio é um dos 20 que a Santa Casa possui no entorno do hospital.
Com dívida de R$ 800 milhões, a entidade passa por dificuldades financeiras e esse é um dos motivos alegados pela mesa administrativa para não ter um posto de segurança dos imóveis anexos. Agora, a preocupação da direção do hospital é com a invasão dos outros edifícios do entorno.
"Este não é um movimento de ocupação de prédios. São criminosos covardes que agrediram um funcionário que cumpria a sua obrigação. Vamos fazer reuniões com a Polícia Militar para pedir o reforço de prédios do entorno", diz ele.
De acordo com Mota, o hospital faz segurança patrimonial e, por isso, os agentes não andam armados e sequer estão preparados para resolver esse tipo de evento. O departamento jurídico vai entrar com uma liminar para pedir a reintegração de posse ainda nesta sexta.
De madrugada, um boletim de ocorrência de esbulho possessório foi registrado no 77º Distrito Policial (Santa Cecília). Após a agressão ao funcionário, um segundo boletim de ocorrência foi registrado no mesmo DP, por lesão corporal.
A Polícia Civil requisitou um exame no Instituto Médico Legal (IML), que deve ser feito por Andrade ainda nesta sexta. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) foi procurada, mas até as 17h30 ainda não havia se manifestado..