Jornal Estado de Minas

Laudo confirma afogamento de Domingos Montagner

São Paulo - O laudo divulgado pelo Instituto Médico-sLegal de Aracaju apontou que o ator Domingos Montagner morreu por asfixia mecânica por afogamento. O diretor do IML, José Aparecido Batista Cardoso, informou que o corpo tinha diversos ferimentos superficiais na região do tórax devido ao contato com pedaços de madeiras e pedras. “Foi encontrada uma grande quantidade de água entre o pulmão e traqueia. Foi um acidente”, afirmou. A declaração de óbito foi assinada e o corpo liberado na madrugada de ontem.

O velório está marcado para as 9h de hoje, no Teatro Fernando Torres, no Bairro do Tatuapé, na Zona Leste da cidade. O sepultamento será às 11h no Cemitério da Quarta Parada, no Brás. O corpo chegou às 18h20 de ontem ao Aeroporto Comandante Rolim Adolfo Amaro, em Jundiaí (SP).
O traslado foi feito  em voo particular que partiu de Aracaju, de acordo com a Infraero. O terminal paulista foi escolhido por causa da proximidade com a capital paulista e pelo pouco movimento.

Logo depois do almoço, na quinta-feira, Domingos Montagner, de 54 anos, mergulhou no Rio São Francisco com sua colega de elenco Camila Pitanga. Eles haviam terminado de gravar uma cena da novela Velho Chico. O lugar é a paradisíaca Canindé, na divisa entre Sergipe e Alagoas. Os dois nadaram até um rochedo, a cerca de 300 metros da margem. Camila chegou ofegante.
Conseguiu subir, mas não conseguiu puxar o ator, que afundou na água. O corpo foi localizado a 18 metros de profundidade e a 50 metros do local do afogamento. A região de Canindé de São Francisco, que fica na divisa entre Sergipe e Alagoas, registra 12 mortes por afogamento desde 2005, numa média de um por ano, segundo dados do Sistema Único de Saúde (SUS). No início deste ano, um adolescente morreu no local ao navegar com um barco.

Camila Pitanga descreveu o acidente para a polícia. Segundo ela, os dois foram até uma pedra e mergulharam no rio. Em seguida, ela percebeu que havia muita correnteza e avisou Montagner. Eles nadaram de volta para a pedra, Camila chegou primeiro e tentou duas vezes segurar na mão do ator, mas a correnteza o levou. Segundo o delegado Antônio Francisco Filho, os atores queriam mergulhar em um local mais tranquilo.
“Eles acharam que era seguro, mas era um dos mais sperigosos para banho. É uma parte do rio em Canindé que não é comum ser utilizada pelos banhistas”, informou. Mais de 50 pessoas do Corpo de Bombeiros, polícias Civil e Militar, Grupamento Tático Aéreo (GTA), formada por um helicóptero e um avião bimotor, e uma equipe de mergulhadores participaram das buscas pelo ator. As equipes localizaram o corpo preso nas pedras por volta das 18h30, a 320 metros da margem da prainha de Canindé de São Francisco.

HOMENAGENS
Em mensagem publicada no perfil do ator no Facebook ontem, a família de Montagner agradeceu “as manifestações de carinho, apoio e solidariedade que tem recebido de todos e busca reunir a força necessária para atravessar - com serenidade e discrição - este momento difícil, íntimo e delicado ao lado dos amigos e familiares”.

O ator paulistano começou sua carreira artística no teatro e em circos. Participou de 13 programas de televisão, entre novela se séries, e fez também nove filmes. Em 1997, formou o Grupo La Mínima, com Fernando Sampaio. Recebeu o Prêmio Shell de melhor ator com A noite dos palhaços mudos, de 2008. Em 2003, criou o Circo Zanni, do qual foi diretor artístico.

Durante entrevista a Ana Maria Braga no programa Mais você, da Rede Globo, no último dia 7, Domingos Montagner descreveu as cenas da novela no Rio São Francisco. “Quando você chega no primeiro dia de gravação e dá um mergulho, está batizado para o resto da vida.
O sertão é um lugar incrível e precisa ser conhecido”, disse Montagner..