Natal, 05 - O plano de atuação do Exército e da Marinha no Rio Grande do Norte prevê patrulhamento dos militares principalmente nos pontos turísticos e nos corredores viários de Natal. Pelas periferias da cidade, não é possível sentir o reforço da segurança dos militares.
"Essa é uma operação a quatro mãos", disse o ministro da Defesa, Raul Jungmann, ao explicar que o Exército ficaria nesses pontos. Segundo ele, a ideia é liberar policiais militares e civis para reforçar o patrulhamento no interior do Estado e organizar operações especiais para identificar os autores dos atentados. Segundo a Polícia Civil, até aqui, uma centena de pessoas já foram presas.
Um dos pontos patrulhados pelos militares das Forças Armadas foi a Avenida Romualdo Galvão, no bairro Lagoa Nova, onde fica um dos principais shoppings centers da capital. Também havia homens com o uniforme verde e fuzil na orla da praia de Ponta Negra, a mais badalada de Natal.
O Exército não informou sobre o eventual uso de veículos blindados ou de outros equipamentos de maior porte no auxílio à segurança pública do Estado. Entre os policiais potiguares, entretanto, a vantagem da presença dos soldados está nos fuzis que eles carregam.
"A bandidagem pode não se intimidar com mais gente nas ruas. A diferença é que, agora, são soldados com fuzis", disse um policial do 4º Distrito Policial de Natal, delegacia que, até quarta-feira, coordenava as operações de resposta aos ataques na capital.
Centro
Até o começo da semana, o 4º DP, localizado no bairro Mãe Luiza, era o centro de inteligência da polícia - por causa de sua localização estratégica, entre as zonas norte e sul. Para o distrito eram enviadas informações de inteligência do governo para as ações que resultaram nas prisões de suspeitos de envolvimento nos ataques.
Agora, com os militares das Forças Armadas, o reforço a esse distrito foi desmobilizado e os efetivos da PM e da Polícia Civil voltaram aos batalhões e às delegacias de origem. Exército e as forças locais montaram um quartel-general de operações no Centro Administrativo do Estado. As ordens para operações especiais estão, agora, saindo do centro. E a ordem é descentralizar também os locais para onde eventuais suspeitos são levados.
Policiais civil e militares ouvidos nesta quinta-feira, 4, esperam, agora, ordem para fazer operações em outras cidades do Estado - que, até a noite desta quinta-feira, ainda não havia chegado aos integrantes das duas polícias. "Existem delegacias em que o pessoal estava de férias, de licença, e que estão trabalhando por conta própria, diante da situação", disse um policial civil..