São Paulo, 27 - O Tribunal de Justiça de São Paulo extinguiu a ação civil pública que apurava a reorganização da rede estadual de ensino paulista. A decisão da juíza Carmen Cristina Fernandez Teijeiro e Oliveira, da 5.ª Vara de Fazenda Pública, entendeu que há falta de interesse em agir, já que o processo foi suspenso pelo próprio governo Geraldo Alckmin (PSDB) no ano passado.
Ela disse ainda que a hipótese de que o processo de reorganização estaria ocorrendo de maneira velada, conforme apontado por especialistas, não restou comprovada nos autos, até mesmo em razão da insuficiência dos dados prestados pela própria secretaria.
A ação foi movida em dezembro do ano passado pelo Ministério Público Estadual (MPE) e pela Defensoria Pública. Inicialmente, as instituições pediam que fosse suspensa a política anunciada pelo então secretário de educação, Herman Voorwald, que previa o fechamento de 94 escolas, transformação de 754 em unidades de ciclo único e a transferência de 311 mil alunos entre os colégios da rede estadual.
A alegação para a ação era a de que faltou dialogar com a população sobre a medida. Depois de suspensa pelo governador, O MPE e a Defensoria pediram que fosse investigada a denúncia de que a pasta manteve a política de forma disfarçada, encerrando séries iniciais nas escolas (6.º ano do ensino fundamental e 1.º ano do ensino médio), de forma a fechar as escolas por falta de demanda.
Para a juíza, mesmo que essa reestruturação da rede esteja ocorrendo de forma disfarçada, seria impossível reverter as medidas no segundo semestre, podendo até prejudicar os alunos. A esta altura, já tendo decorrido mais da metade do ano letivo, revelar-se-ia absolutamente inadequado determinar aos estudantes, professores e servidores - e especialmente aos primeiros - que retornassem às salas de aula e escolas que estudavam em 2015, escreveu.
A juíza afirmou ainda, em relação ao pedido do MPE e da Defensoria, de que o governo divulgasse uma agenda de discussões sobre a reorganização, que não cabe ao Poder judiciário se imiscuir na atuação administrativa, de forma a impor os termos de uma gestão democrática, em verdadeira atividade legislativa.
Inquérito Civil
O promotor João Paulo Faustinoni, um dos autores da ação, disse que ainda não foi notificado da decisão oficialmente, mas que se reunirá com a Defensoria para decidir os próximos passos. Duas hipóteses já estão sendo avaliadas: a de recorrer da decisão e também a abertura de um inquérito civil para continuar investigando se há uma reorganização velada na rede.
A questão é: se tem uma decisão judicial dizendo que a reorganização não poderia ocorrer em 2016, parece que, em princípio, deveria haver interesse em instruir melhor a ação. Faustinoni lembrou que incluiu no processo um estudo da Rede Escola Pública, formada por pesquisadores de diversas universidades públicas de ensino do Estado, que demonstrou fortes indícios de que a reorganização continuou acontecendo.
O objetivo era aproveitar que havia um processo em curso para submeter ao contraditório essa discussão. A secretaria diz que é uma movimentação natural de demanda e, por outro lado, análise dos pesquisadores diz que não.
O jornal O Estado de S. Paulo procurou a Secretaria Estadual da Educação, mas até as 20 horas desta quarta-feira, 27, não havia recebido resposta..