Freitas é suspeito de ter recebido dinheiro para liberar a emissão do Habite-se de um empreendimento imobiliário da Construtora Onoda, na zona leste de São Paulo, em 2009. O Grupo Especial de Repressão a Delitos Econômicos (Gedec) do MPE, entretanto, ainda investiga atuação parecida para favorecer universidades, redes de supermercado, planos de saúde e outras construtoras.
O auditor passou a ser alvo do MPE após as investigações da Máfia do Imposto sobre Serviços (ISS), grupo de fiscais da Secretaria de Finanças que receberia propina para facilitar a sonegação de impostos. Ele era o auditor com maior patrimônio da secretaria, segundo o MPE, mas teria esquemas próprios, agindo como um "freelancer" para a máfia.
Acusações
A denúncia, apresentada à 8ª Vara Criminal da Capital na sexta-feira, é uma das ações que teriam sido feitas em parceria com a máfia, segundo os promotores. "É certo que José Rodrigo de Freitas, além de ter ciência do esquema de propina existente no setor do ISS/Construção Civil da Prefeitura de São Paulo, era um dos auditores fiscais que frequentemente operavam a extorsão."
A Onoda recolheu R$ 4,5 mil em impostos para a liberação do Habite-se da obra. Freitas, porém, teria recebido R$ 67,2 mil para atuar na liberação, ainda segundo o texto da denúncia criminal. O pagamento se deu em seis cheques, emitidos em 14 de abril de 2009.
Duas testemunhas ouvidas pelos promotores, responsáveis pela execução das obras, "detalharam como se davam os pagamentos das despesas decorrentes das reformas que faziam nos imóveis de titularidade do ex-fiscal, fornecendo planilhas referentes às dezenas de cheques de terceiros fornecidas pelo denunciado para o financiamento das obras", ainda segundo a denúncia contra Freitas. A ação, para o promotor Roberto Bodini, configurou prática de lavagem de dinheiro dos valores obtidos por meio de concussão (corrupção praticada por servidor público).
A construtora Onoda deixou de operar no ano passado e mudou de nome, passando a ser agora a imobiliária RS Imóveis. A reportagem procurou a empresa ontem para comentar o caso, mas não obteve resposta. A reportagem também falou com o criminalista Márcio Sayeg, defensor de Freitas, que informou que iria se inteirar da denúncia antes de se manifestar.
As informações são do jornal
O Estado de S. Paulo..