"O vídeo prova o abuso sexual", diz delegada no caso do estupro coletivo

Depois que o caso teve repercussão internacional, a polícia pediu a prisão de seis suspeitos. De acordo com a delegada, a investigação procura entender quantas pessoas praticaram o crime

Estado de Minas
O laudo da perícia não apontou indícios de violência no caso do estupro coletivo contra uma adolescente de 16 anos no Rio de Janeiro, mas a delegada Cristiana Bento, responsável pela investigação, informou que está convicta de que a agressão ocorreu.
"Nos crimes sexuais, o exame de corpo de delito é importante, mas não determinante. Temos que verificar as outras provas e as imagens mostram o rapaz manipulando a menina. O vídeo prova o abuso sexual", explicou Cristiana, em entrevista à imprensa na tarde desta segunda-feira, 30.

O resultado do exame ocorreu por causa da demora da vítima em fazer o registro na polícia e o exame de corpo de delito. Cristiana frisou que neste caso, a vítima estava desacordada e, portanto, não teria oferecido resistência, o que inviabilizaria a existência de uma lesão detectável no exame. "Vamos provar agora quantas pessoas praticaram o crime, se foram 10, se foram 15, mas que houve crime, houve", detalhou a delegada. Nas imagens, divulgadas pelos próprios agressores, um deles menciona "mais de 30" homens.

Cristiana, titular da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima assumiu as investigações depois que o delegado Alessandro Thiers, titular da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), foi afastado. De acordo com a então advogada da vítima, Eloísa Samy Santiago, ele teria conduta inadequada no depoimento.
Questionou, por exemplo, se a garota tinha hábito de praticar sexo grupal. A polícia entrou no caso na quinta-feira e somente nesta segunda seis suspeitos foram considerados foragidos.

O chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso afirmou que "não há provas tão robustas" de que o crime teria sido cometido por mais de 30 homens, mas que a polícia continua a buscar elementos que possam comprovar o que foi dito pela própria vítima e por um homem que aparece no vídeo divulgado na internet. A jovem disse para a polícia que foi atacada por 33 homens e que muitos deles estavam armados. A delegada da DCAV disse que, em casos de violência sexual, o depoimento da vítima tem peso muito grande.

Foragidos
Estão sendo procurados Sérgio Luiz da Silva Júnior, conhecido como Da Russa; Marcelo Miranda da Cruz Correa; Raphael Assis Duarte Belo; Michel Brasil da Silva; Lucas Perdomo Duarte Santos; e Raí de Souza. Da Russa é apontado como chefe do tráfico do Morro da Barão, na Praça Seca, onde ocorreu o crime. O Disque Denúncia oferece R$ 1 mil para quem der informações sobre seu paradeiro. Santos tinha um relacionamento com a vítima.

Nesta manhã, agentes da Polícia Civil estiveram em favelas e bairros da região à procura dos seis, sem sucesso. A ação foi coordenada pela delegada Cristiana Onorato, da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), e pelo diretor do Departamento Geral de Polícia Especializada, Ronaldo de Oliveira.

Culpabilização da vítima
Em entrevista neste domingo ao Fantástico, da TV Globo, a adolescente declarou que está recebendo ameaças pela internet e que se sentiu desrespeitada na delegacia onde prestou dois depoimentos.

"Quando vim à delegacia, não me senti à vontade em nenhum momento. Acho que é por isso que as mulheres não fazem denúncias", disse a adolescente. Ao explicar o que aconteceu na delegacia, a jovem afirmou: "Tentaram me incriminar, como se eu tivesse culpa por ser estuprada".

No mesmo dia, a família decidiu dispensar a advogada Eloísa, que defendia a adolescente no caso. Ela será protegida pelo Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte, da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, em parceria com o governo federal.

(Com Agência Estado).