No evento, mais de cem vagas serão ofertadas nos setores de indústria e serviços e haverá palestras sobre empreendedorismo. Os interessados poderão tirar a carteira de trabalho e se cadastrar em programas sociais como o Bolsa Família. "Caso eu não consiga a vaga de mecânico, vou aceitar o que vier mesmo, porque a crise está feia", lamenta o congolês, que fala cinco idiomas.
Contratar imigrantes ou refugiados é prática que tem sido adotada por empresários da capital e do interior do Estado. Os feirões e outras iniciativas permanentes como o Eixo Trabalho, realizado pela Paróquia Nossa Senhora da Paz, e o Programa de Apoio à Recolocação do Refugiado (PARR), apoiado pela Cáritas, facilitam a intermediação entre as partes e preparam esses estrangeiros para o mercado de trabalho, oferecendo aulas de português e dicas para elaboração de currículo. "Sensibilizamos o empresário, que muitas vezes não sabe o que é um refugiado e não enxerga o potencial dele", diz Rebeca Duran, do PARR.
Apostar na mão de obra imigrante é uma maneira de aumentar a diversidade dentro das empresas, o que pode criar um ambiente onde se facilita a criatividade. Esta é a opinião do contador Mauro de Andrade, proprietário do escritório Gesplan Contabilidade. Em abril do ano passado, ele contratou as refugiadas Hayat Houbbi, de 22 anos, da Síria, e Kadiatou Balde, de 40 anos, da República da Guiné. "Ter pessoas que falam outros idiomas facilita os negócios."
Barreiras na integração
Uma grande dificuldade para a recolocação de imigrantes e refugiados no mercado de trabalho é a validação do diploma, no Brasil, de um curso universitário concluído em outro país. A Cáritas estima que 25% dos refugiados têm curso superior completo. Como não há uma legislação específica sobre o tema, as universidades públicas brasileiras responsáveis pela validação estabelecem suas próprias regras, em um processo que pode levar até dois anos e custar R$ 2 mil.
No ano passado, o Ministério da Educação chegou a emitir parecer para flexibilizar a validação de diplomas. "Estamos desperdiçando profissionais qualificados", diz Larissa Leite, da Caritas.
As informações são do jornal
O Estado de S. Paulo..