No Santos Dumont, além de um protesto com faixas que impediram o acesso de passageiros ao check-in por cerca de dez minutos, aeroviários com camisas da Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil, entidade ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), fecharam o trânsito no acesso ao aeroporto por cerca de 20 minutos. O protesto engarrafou a região, o que obrigou passageiros atrasados a saltar no meio do caminho e correr até o embarque, carregando malas.
No Internacional, a adesão de aeronautas (pilotos, copilotos e comissários de bordo) foi maior. No guichê da TAM, cerca de 50 funcionários portavam placas com a seguinte frase, em português e inglês: "Nossa segurança também é a sua". De acordo com o diretor do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Apolo Seixas, o grupo reivindica reajuste salarial e mais recursos para manutenção e infraestrutura. Ele disse que os investimentos das companhias têm diminuído, o que "impacta na segurança".
O diretor sindical dos aeroviários do Rio, Marcelo Schmidt, afirmou que a categoria também reivindica escalas mais espaçadas (cinco turnos de trabalho por um de folga) e cesta básica para todos.
O protesto atrapalhou a vida de diversos passageiros. O voo que levaria Maria Raimundo Sales, de 32 anos, e o filho, de 9 meses, para Teresina, marcado para 10h17, foi transferido para 15h30, com conexão em Belo Horizonte. "Vou chegar só às 22 horas em Teresina e não sei em qual prioridade a companhia disse que me botou. Só me ofereceram água. A gente marca tudo direitinho, paga caro na passagem e acontece isso. Não sei o que vou fazer com o meu filho durante todas essas horas de espera. Estou sozinha com ele, vou ter que me virar", disse.
O administrador José Antonio da Silva, de 24 anos, definiu a situação como "abuso". O voo dele, direto para Maceió, às 6h55, foi remarcado para 8 horas, com conexão. "Só devo chegar às 13 horas. É um verdadeiro abuso com o cliente. Somos tratados como cachorros.".