São Paulo, 09 - A gestão Fernando Haddad (PT) recuou e excluiu 22 quadras do perímetro previsto para verticalização na Vila Madalena e no Sumarezinho, bairros da zona oeste da capital paulista. A nova proposta de zoneamento para a região reduz de 700 mil para 400 mil metros quadrados a área permitida para o mercado imobiliário construir espigões sem limite de altura.
A decisão é resultado da pressão dos moradores, que investiram em estudos técnicos para demonstrar a representantes da Prefeitura e da Câmara Municipal que os bairros não suportariam o adensamento populacional proposto. Com ladeiras de alta declividade e ruas estreitas, a construção de torres altas poderia provocar novos casos de deslizamentos de terra, com risco aos moradores.
No mês passado, a reportagem mostrou que um hostel na Rua Girassol precisou ser interditado depois de ser atingido pela movimentação de terra no terreno vizinho, aberto com a demolição de 17 lotes antes ocupados por sobrados de alto padrão, avaliados em R$ 2 milhões.
O processo de transformação do bairro teve início após a aprovação, em julho de 2014, do novo Plano Diretor de São Paulo, que incentiva a verticalização ao redor de estações de metrô e corredores de ônibus.
Com a meta de frear a busca das construtoras por novas áreas para construção, diversas associações de bairro foram à luta. Orientados pelo urbanista Francisco Luiz Scagliusi, contratado para mapear os casos de demolição e formular uma proposta de alteração no projeto de lei, os moradores conseguiram modificar o mapa do novo zoneamento, preservando, além das casas, praças, escolas, nascentes dágua e vilas residenciais.
Ficaram de fora da Zona de Estruturação Urbana (ZEU) quadras localizadas, por exemplo, nas Ruas Harmonia, Girassol, Francisco Isoldi, Heitor de Andrade, Monsenhor Passos, Herculano e Caiovás. "Mostramos, com alegações geotécnicas, que o perímetro inicial estava avançando numa área de grande declividade e viário limitado", diz Scagliusi.
Com a mudança, futuras construções nessas 22 quadras terão de respeitar o limite atual, de 28 metros ou oito andares. Relator do projeto que revisa a Lei de Zoneamento, Paulo Frange (PTB) também determinou que esse limite deverá ser aplicado para todas as obras em terrenos com declividade igual ou acima de 33%. Neste caso, a regra vale para os bairros localizados em ZEUs. Ao todo, 3% do território da cidade recebeu essa classificação.
Especulação
Com a vitória, os moradores esperam que a especulação imobiliária perca fôlego.
"Vivemos um terror psicológico. Os corretores fazem proposta de compra por e-mail, telefone, pessoalmente. Chegam a fazer plantão na nossa porta, até de sábado. É insuportável, uma carga de estresse muito grande", diz a médica Isabela Bensenor, que vive há nove anos na Vila. Integrante do Movimento de Preservação do Sumarezinho e da Vila Madalena, Isabela conta que os "moradores dividiram as despesas, as tarefas e as angústias" durante o processo de reivindicação pela mudança na ZEU.
A gestão Haddad informou que a revisão da Lei de Zoneamento ainda está em curso, podendo o texto ser readequado a novos estudos e sugestões antes de ser submetido a votação.
As informações são do jornal
O Estado de S. Paulo..