São Paulo, 07 - A Câmara Municipal de São Paulo optou pagar por um serviço que poderia usufruir gratuitamente. Desde outubro, parte dos projetos de lei elaborados pelos vereadores abastece o site Vote na Web/SP, no qual internautas manifestam-se contra ou a favor das propostas. A plataforma privada custa R$ 53 mil por mês, ou R$ 636 mil por ano, e foi escolhida em detrimento da ferramenta Eu Voto, de código aberto, e sem custos.
Ambos os sistemas funcionam da mesma forma: apresentam didaticamente os textos dos projetos de lei em trâmite na Casa, com fotos temáticas e ilustrações que mostram os acessos e as opiniões dos participantes por meio de porcentuais de "sim" e "não". As páginas também abrem espaço para comentários e direcionam os visitantes aos sites e às redes sociais dos parlamentares.
A ideia de ter uma ferramenta online que servisse de "termômetro" para os projetos elaborados pelo Legislativo não é nova. Em 2012, quando a Câmara passou a publicar na internet os salários dos vereadores, representantes do braço brasileiro da organização sem fins lucrativos Open Knowledge já projetavam ações de transparência para a Câmara. Em março do ano passado, começaram a desenvolver o projeto Eu Voto e, nos últimos seis meses, têm tentado ofertar de graça, mas sem sucesso, a tecnologia para os parlamentares da capital.
"Tentei conversar com o presidente (vereador Antonio Donato, do PT) por duas vezes. Bati na porta dele, mas não fui atendido. Também fiz contatos por telefone e convites para um evento que promovemos neste ano sobre democracia na internet.
A adoção de aplicativos de domínio aberto é uma tendência em todo o mundo quando se trata de dados públicos. A Câmara Municipal, por sua vez, paga cerca de R$ 17 milhões por ano com uso de softwares proprietários, de código fechado.
Subcontrato
Responsável pelo Vote na Web/SP, a empresa Webcitizen foi subcontratada pela agência de publicidade da Câmara, a Artplan, que recebe R$ 26 milhões por ano para divulgar o trabalho dos parlamentares. Desse modo, não é possível acompanhar, pelo portal de transparência, as metas e os resultados obtidos com o serviço.
Diretor executivo da Webcitizen, Fernando Barreto rebate as críticas de Alvarenga quanto à falta de transparência. Para ele, o código fechado é somente uma característica do site, que também coloca os projetos do Congresso Nacional em votação na internet. Ele acrescenta que a venda de publicidade foi o modelo de negócio encontrado para expandir a plataforma para a esfera municipal. "Queremos que chegue a mais pessoas e envolva as pessoas nas funções democráticas", diz.
Quem entra no site, no entanto, percebe que a Câmara é atualmente a única anunciante da plataforma, que está hospedada no próprio portal da Casa, no qual há outros banners de publicidade institucional.
A Câmara informou, em nota, que a adoção da ferramenta é uma estratégia de marketing, uma vez que o Vote na Web tem mais de 70 mil usuários apenas na capital - o Eu Voto teria pouco mais de 1 mil. A Casa explicou que usa o sistema da empresa privada porque faz uma ação publicitária por meio dela - no site, entre os projetos dos vereadores, há banners que informam sobre a lei de zoneamento, atualmente em discussão.
A Câmara ainda afirma que a plataforma Eu Voto foi convidada a desenvolver ação semelhante. As negociações estão em andamento, comandadas por Donato, confirma Alvarenga. Em breve será formalizada parceria entre a Open Knowledge Brasil e a Escola do Parlamento, para desenvolvimento de cursos e eventos voltados para transparência e governança.
As informações são do jornal
O Estado de S. Paulo..