Na véspera, o MP havia arquivado o inquérito por falta de justa causa para iniciar ação penal. A decisão foi confirmada pela 3.ª Vara Criminal. É gravíssimo que o MP não tenha conseguido identificar a autoria ou no mínimo o mandante da ação policial. Havia uma lista ampla de possíveis autores, disse a diretora do Centro pela Justiça e Direito Internacional (CEJIL) no Brasil, Beatriz Affonso.
O CEJIL foi responsável pela denúncia do caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), em novembro de 1995. Com certeza a comissão vai considerar a impossibilidade de se realizar Justiça. Se o Brasil for responsabilizado por meio de sentença da corte interamericana, autoridades envolvidas por ação ou omissão vão ser publicamente conhecidas. Trata-se de execuções em nome do Estado.
Se considerar que houve graves violações de direitos humanos, a corte da OEA pode solicitar a reabertura do caso pelo Estado brasileiro.
Oficialmente, a operação policial na Nova Brasília foi realizada com o objetivo de prender traficantes de drogas e houve confronto armado. Nenhum policial morreu e ninguém foi preso. Oito das treze vítimas estavam dentro de uma casa, onde teriam se refugiado. A maioria apresentava perfurações no tórax e na cabeça.
O caso foi reaberto pelo MP em 2013, após requerimento da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. A promotora responsável desde então, Carmen Eliza Bastos de Carvalho, diz que o MP esgotou todas as diligências no inquérito e não teve como denunciar.
Segundo ela, foram localizadas 17 das 22 armas identificadas na época dos crimes. Ouvimos testemunhas, parentes das vítimas e moradores. Das 22 armas, conseguimos localizar 17. Fizemos confronto com as cápsulas encontradas nos corpos em 16 armas, mas nenhum deu positivo, todos foram negativos ou inconclusivos. Ainda, segundo a promotora, uma das armas estava com a numeração errada e foi localizada só na semana passada. Acabamos não fazendo o confronto nesse caso porque o policial que a usava morreu em 2011.
A promotora reconhece, porém, indícios claros de que houve execução. Isso é indiscutível, mas não conseguimos identificar quem executou.
Seis meses antes do massacre de maio de 1995 na Nova Brasília, outra chacina havia ocorrido na favela, com o mesmo número de vítimas: 13. Nesse caso, também reaberto em 2013, houve denúncia do MP contra quatro policiais civis e dois militares. A operação policial também foi realizada sob a justificativa de reprimir o tráfico de drogas..