O Estado de São Paulo
, Andreu diz que os novos gestores paulistas da crise repetem o discurso do governador Geraldo Alckmin (PSDB) ao dizer que "é preciso atravessar o deserto de 2015". E acha que o gatilho para o rodízio já passou.
As críticas não foram bem recebidas pelo governo do Estado. "O senhor Vicente Andreu é, no mínimo, desrespeitoso com o governo que trabalha há um ano de forma ininterrupta para garantir o abastecimento de água para a população de São Paulo", afirmou o subsecretário de Comunicação do Estado, Marcio Aith. A Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos optou por não comentar as declarações.
Andreu afirma que a crise do Cantareira se evidenciou no começo de janeiro de 2014, ainda durante o período chuvoso, mas que ela tomou dimensão real no mês de fevereiro, quando a vazão afluente é extremamente baixa. "A dimensão real da crise aparece em fevereiro. Em novembro e dezembro, havia expectativa de que houvesse reversão", diz o presidente da ANA.
Questionado sobre o fato das vazões estarem abaixo da média desde agosto de 2012 e desde maio de 2013 o sistema perder mais água do que ganha, Andreu afirma que, "Em uma série de longo prazo, o comportamento de 2012 até 2014 é recorrente. Não é absolutamente inédito."
Sobre o rodízio em São Paulo ter sido vetado pelo governo Alckmin há um ano, Andreu diz não opinar sobre as questões de operação da Sabesp.
"A Lei de Saneamento é particularmente confusa. Na minha opinião, no caso de São Paulo, e esse precedente não deve prosperar, há interpretação errada. Para mim, é absolutamente clara: o aumento de tarifa obriga a adoção de racionamento (o que o Estado nega)", diz Andreu
Sobre o governo afirmar que a declaração de racionamento já foi feita e citar as resoluções de ANA e DAEE, restringindo o Cantareira, Andreu afirma que o Estado nunca assumiu o racionamento, "O problema passa a ser de forma. Do ponto de vista da forma, não houve. Do ponto de visto do conteúdo, houve restrição. Mas se essa restrição levaria à escassez da disponibilidade, isso nunca foi assumido pelo governador, que vivia dizendo que não faltava água. Tem uma contradição também entre a declaração e o discurso do governo. Se o governador diz que não falta água, como você vai dar uma declaração de escassez. Esse problema foi mal administrado, seja pela incoerência do discurso e da situação, seja pela interpretação equivocada daquilo que está na Lei de Saneamento."
Acusado de disseminar o pânico (por falar da necessidade de um dilúvio), ao criticar em 2014 a falta de transparência do governo de São Paulo na crise hídrica, o presidente da ANA afirma que diferente do Estado, nunca usou "hipérboles".
"Até a ocorrência dos eventos atuais, a série de 84 anos explicava bem os fenômenos. A série de 2014 não guarda nenhuma correlação anterior. Que o fenômeno vai acabar, não resta dúvida. Um dia acaba. Agora, quando acaba?", diz Andreu. Para ele, em 2014, o governador apostou todas as fichas de que o fenômeno acabaria no período chuvoso de 2015, " Infelizmente, até agora não acabou. Qual a segurança que você tem de que ele vai acabar em 2016? Do ponto de vista do gestor, temos de trabalhar com medidas restritivas".
O presidente da ANA entende como tecnicamente insuficiente a medida da Sabesp de planejar um gatilho para o racionamento oficial, "Rodízio se faz quando você tem água. Não dá para esperar o esgotamento. Eu acredito que o índice do reservatório que vai disparar o gatilho nós já passamos por ele. Como medida de transparência acho positivo.
As informações são do jornal
O Estado de S. Paulo..