Alckmin lembrou que a Companhia Energética de São Paulo (Cesp) foi multada em R$ 5,3 milhões por ter reduzido a vazão do Jaguari no auge da crise hídrica, em agosto, e foi obrigada a soltar mais água. "No caso do Jaguari, o que se produz de energia é muito pouco. No mundo inteiro, inclusive no Brasil, a prioridade da água é para o abastecimento humano. No entanto, ainda se prioriza a produção de energia, mesmo correndo o risco de ficar sem água. Essa é uma questão relevante e o Brasil precisa tomar uma posição firme."
Alckmin levou o assunto ao governo federal e sua assessoria tratou da questão do Jaguari com a Agência Nacional de Águas (ANA) e com o ONS, mas ainda não houve acordo.
Sem energia
Para evitar que o controle da vazão nas barragens passe a ser do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o governo paulista projetou duas represas no interior de São Paulo sem sistema de geração de energia. Embora tenham grande capacidade hídrica, com barragens de até 50 m de altura, as represas de Pedreira, no Rio Jaguari, município de Pedreira, e de Duas Pontes, no Rio Camanducaia, município de Amparo, não irão produzir um quilowatt de eletricidade.
De acordo com Alckmin, as barragens foram projetadas para aumentar a disponibilidade hídrica na região drenada pelas bacias do Piracicaba, Capivari e Jundiaí, no interior do Estado, e podem contribuir para manter o nível do Sistema Cantareira. "Na hora que começa a gerar energia, quem controla a represa é o Operador Nacional do Sistema. O operador manda soltar toda a água para ter geração e aí fica sem abastecimento", justificou. Segundo ele, a produção de energia hidrelétrica pode ser substituída por outras fontes, como a termoelétrica, a nuclear, a eólica e a biomassa. "Abastecimento, porém, você só faz com água", disse..