Responsável por inquérito civil que investiga possíveis falhas de gestão na instituição, o promotor Arthur Pinto Filho afirmou nesta quarta-feira, 18, à reportagem que a medida será usada como terceira alternativa caso a renúncia não seja espontânea ou ocorra por iniciativa dos membros da Irmandade da Santa Casa.
"Espero que a Santa Casa tenha força para expurgar e responder à sociedade de São Paulo e do Brasil que não tem a ver com desmandos.
O promotor explica que, embora a Santa Casa seja uma entidade privada, a Justiça pode interferir na estrutura administrativa da instituição porque ela recebe dinheiro público. "Apesar de ser uma entidade privada, ela trabalha fundamentalmente com dinheiro do Sistema Único de Saúde. Esse dinheiro que está sendo mal gerido é dinheiro público", afirmou. "Em que situação ficam o secretário e o ministro da Saúde de ter de, todo fim do mês ou início do mês, repassar verba para a Santa Casa em uma gestão desse nível?", questionou.
Conforme revelado pelo jornal O Estado de S.Paulo na semana passada, membros da Irmandade da Santa Casa se articulam para pedir a renúncia do provedor antes mesmo da ação da Promotoria. Segundo o regimento da instituição, são necessárias assinaturas de um quinto dos irmãos para que uma assembleia-geral seja convocada e a renúncia seja colocada em pauta. Como a Irmandade tem cerca de 500 integrantes, os opositores precisam de cem assinaturas.
Acordo
Santa Casa fechou um acordo com a Caixa Econômica Federal, anteontem, para a liberação de R$ 14 milhões, que seriam suficientes para o pagamento dos vencimentos de dezembro e da 1ª parcela do 13º salário, atrasados para parte dos funcionários. O valor é referente a um depósito feito como garantia pela Santa Casa anteriormente que, agora, seria trocado por imóveis.
A previsão era de que os benefícios atrasados fossem pagos ontem, mas o depósito não foi feito porque o dinheiro ainda não havia sido liberado para a entidade.
O Estado de S. Paulo..